São Paulo Na contramão do PT e do PSDB, que crescem a cada eleição e polarizam a disputa pelo poder no Estado, o PMDB paulista está no rumo da extinção. Depois de dar vexame nas três últimas eleições estaduais e perder 90% de suas bancadas na Câmara e na Assembléia Legislativa, o partido agora está ameaçado de ficar sem seu último trunfo: a força dos prefeitos no interior.
Se há dez anos o PMDB chegou a vencer em 300 dos 625 municípios existentes na época, a previsão para as eleições do ano que vem é de que não consiga mais do que 80 candidatos para disputar as atuais 645 prefeituras. Ou seja, o partido que há dez anos fez 48% dos prefeitos paulistas, hoje talvez não consiga nem 15% de candidatos.
Para um assessor do PMDB, que preferiu não se identificar, a visão é desanimadora. ''Se não houver uma grande reviravolta, o partido vai acabar em São Paulo'', prevê. Ainda de acordo com esse peemedebista, o presidente do diretório estadual, o ex-governador Orestes Quércia, afastou todos os políticos importantes do partido com o único objetivo de fortalecer sua própria liderança.
Por essas e outras, a bancada federal, que em 1982 teve 30 dos 60 representantes paulistas e só alcançou quatro entre 70 deputados em outubro, perdeu mais um deputado (Milton Monti foi para o PL) e agora conta com apenas três representantes. Significa dizer que o PMDB ocupa menos de 5% das cadeiras paulistas na Câmara.
Dos que sobraram, Michel Temer só não foi para o PSDB porque ocupa a presidência nacional do PMDB e Paulo Lima estuda voltar ao PFL. Com essas dissidências, restaria apenas José Pinotti, que está em campanha para comandar o diretório estadual a partir de maio e, quem sabe, disputar a prefeitura da capital no próximo ano.
Para isso, Pinotti começou a sondar alguns integrantes do partido, mas já recebeu recados desoladores por sua relação histórica com o quercismo. ''Se ele não se livrar do Quércia e chamar de volta políticos importantes que foram desprezados, vai comandar um partido vazio'', adverte o mesmo assessor. ''Se for para fazer isso, prefiro não ser candidato'', responde Pinotti.

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