O diretório do PMDB em Londrina vai orientar os três vereadores da bancada a votarem contra qualquer proposta de venda da Sercomtel S.A. - inclusive a Celular. A diretriz foi tirada de uma reunião na sede da executiva, anteontem à noite, e será trabalhada nos próximos dias também com outras siglas naquela que se pretende uma ''frente partidária'' sobre o assunto.
Atualmente, a viabilidade da telefônica é tema de um grupo de estudos formado na Câmara de Vereadores. Pelo menos três dos cinco integrantes - um deles, do PMDB - vêm manifestando interesse de se propor a venda da Celular, que registrou prejuízo de aproximadamente R$ 4,5 milhões no balanço do ano passado. Paralelamente, a telefonia móvel já acumula uma dívida de R$ 14,5 milhões com a Fixa, débito que seria abatido do pagamento de um eventual comprador.
Para o presidente municipal do PMDB, João Mendonça, a orientação ''definida por unanimidade'' pelos 25 filiados que compareceram à reunião é fruto de uma suposta falta de informações que respaldassem opinião contrária.
''A diretriz pode até ser revista, mas, nesse momento, há muitas dúvidas para que possamos balizar uma posição pela necessidade de venda da empresa'', disse. Questionado sobre quais seriam, Mendonça citou os direcionamentos do grupo de estudo do Legislativo e também os dados sobre suposta perda de clientes, argumento preferido dos vereadores a favor da venda da Celular. ''Há de se descobrir, por exemplo, se os mais de 25% que a Celular detém hoje no mercado representam mais ou menos que os 80% que já deteve, no passado. A aplicabilidade na gestão administrativa de recursos também é algo que precisa ser respondido'', afirmou o peemedebista. Segundo ele, esses são pontos que serão cobrados da bancada e levados a outros partidos ''com ou sem representação na Câmara''.
Ausente na reunião da executiva - ele foi representado por um assessor -, o vereador Osvaldo Bergamin, da base aliada ao Executivo, definiu que seguirá a orientação do governo do Estado, não necessariamente do diretório. ''O governador (Roberto) Requião (PMDB) é a parte interessada; o que ele decidir, acompanharei'', resumiu. Sobre a opinião pessoal que tem hoje, Bergamin declarou que vai esperar a conclusão dos trabalhos do grupo de estudos.
Líder do PMDB e único presente ao evento, o vereador Henrique Barros não atendeu ontem aos telefonemas da reportagem. Jamil Janene, por sua vez, justificou a ausência por um suposto não convite da executiva. Filiado este ano ao partido, Jamil é relator do grupo da Câmara e vem insinuando que a Celular, se não for vendida, será inviabilizada.
''Soube dessa reunião pela imprensa, não fui convidado (Mendonça alega que ele 'foi convocado; uma assessora até assinou a convocação') . Mas acho que os partidos não podem tratar um assunto desses de forma política, pois é um patrimônio da cidade que está em jogo'', analisou. Indagado se vai seguir o PMDB, o vereador foi evasivo. ''Vai depender do que o estudo do grupo apontar. Minha intenção é acompanhar a executiva, mas quando o relatório for finalizado, quero debatê-lo com o PMDB e com toda a sociedade'', discursou.

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