Curitiba - A convenção do PMDB de Curitiba, que escolherá amanhã o novo presidente do diretório, acontece em clima de guerra. Ontem à tarde, o presidente estadual do PMDB e pré-candidato à Prefeitura de Curitiba, o deputado federal Gustavo Fruet, fez uma série de denúncias envolvendo a disputa de amanhã. Segundo Fruet, funcionários do governo do Estado estariam usando a máquina para convencer filiados a votarem na convenção em favor do grupo que defende aliança com o PT. As convenções do PMDB acontecem, amanhã, em todo o Brasil.
Fruet mostrou-se bastante revoltado, e disse ainda que uma empresa de informática estaria locando cerca de 150 carros que seriam usados para levar pessoas à convenção. Isso foi descoberto porque locadoras de automóveis ligaram para o PMDB pedindo ''garantia de pagamento'', e não foi o diretório estadual que as contratou, explicou Fruet. O deputado garantiu que todas essas denúncias estavam sendo encaminhadas ao governador Roberto Requião (PMDB), que estava ontem em Brasília.
De acordo com Fruet, a diretora da Sanepar, Maria Arlete Rosa, e a professora Sheila Toledo, chefe do Núcleo de Educação em Curitiba, estariam usando a máquina. Ambas negaram. A assessoria da Sanepar disse que Maria Arlete nem sequer teria tempo de usar a estrutura pública para fins partidários. Sheila Toledo disse que é uma pessoa com posição definida, e por isso teriam deduzido que usaria a máquina: ''Sou ética e sei diferenciar as coisas, e não sou ingênua.''
De um lado da disputa pelo poder no PMDB está Fruet e seu grupo, que defendem candidatura própria nas eleições do ano que vem. Dessa ala faz parte o diretor do Detran, Marcelo Almeida, que concorre à presidência do PMDB de Curitiba. Do outro lado está o atual presidente, Doático Santos, que concorre à reeleição, defensor de uma aliança com o PT no primeiro turno. Há ainda uma terceira chapa, encabeçada por Eduardo Fujikawa, antigo militante do partido.
A briga pelo comando do diretório está tão acirrada porque o cargo de presidente do partido é estratégico. É o presidente quem vai articular uma candidatura própria ou as coligações. Fruet contestou na Justiça o diretório municipal, que fez um recadastramento dos filiados, reduzindo os filiados de 23 mil para cerca de quatro mil. Fruet disse que o recadastramento não está previsto no estatuto do partido. ''Esse é um processo de exclusão'', acusou. Ele citou ainda o caso de pessoas que não teriam se recadastrado mas fariam parte da lista de filiados. Um deles estaria vivendo nos Estados Unidos.
Segundo o diretório municipal, muitos não tinham mais vida partidária, por isso o novo levantamento era necessário. Na tarde de ontem, o grupo de Fruet anunciou que conseguiu três liminares na Justiça que garantem aos 23 mil filiados em todo o Estado e cerca de 800 em Curitiba o direito de votar amanhã. Doático Santos disse ontem que estava preparando recursos para as liminares, mas afirmou que se elas não forem derrubadas até domingo, serão respeitadas. A convenção terá a pedido de Fruet um observador do diretório nacional: o advogado Paulo Freire.

mockup