Pedro Livoratti
De Londrina
Representantes de executivas estaduais de 10 Estados aprovaram ontem a ‘‘Carta de Londrina’’ que prevê o rompimento do partido com o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O documento será encaminhado à direção nacional do PMDB e representa uma crítica áspera ao governo federal. Participaram do encontro, realizado no Instituto Filadélfia, em Londrina, representantes do partido de todo o Paraná, além dos Estados de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Piauí, Segipe, Ceará e Recife. O documento será enviado
‘‘Se o País não tivesse recorrido ao FMI certamente também teria decretado sua moratória’’, discursou o ex-presidente da República e governador de Minas Gerais, Itamar Franco, principal estrela peemedebista convidada para o encontro de ontem (leia nesta página). Segundo o governador, que discursou durante meia hora, logo após aprovação do documento, o PMDB vive um momento decisivo.
‘‘Se não nos afastarmos do presidente Fernando Henrique e de sua política de recessão, o partido corre o risco de deixar de existir’’, afirmou o governador mineiro.
O encontro lotou o ginásio de esportes do Instituto Filadélfia e reuniu lideranças nacionais como o ex-presidente do partido, Paes de Andrade; a suplente de senadora de Goiás, Dona Íris Rezende; o ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, o senador paranaense, Roberto Requião - anfitrião do congresso - além de deputados federais e estaduais de vários Estados. Os discursos duraram toda a manhã e empolgaram uma platéia formada por filiados e correligionários de várias cidades do Paraná.
O senador Roberto Requião foi enfático e voltou a afirmar que destituirá os diretórios municipais do Paraná que não aceitarem a orientação nacional e promover coligações com partidos que não sejam da oposição. ‘‘As alianças serão feitas somente com quem não tem compromisso com a incopetência e com a corrupção’’. Segundo o senador no Paraná, o PMDB não deverá se unir com o PFL e PSDB nas próximas eleições. ‘‘Aonde o interesse maior do partido for confrontado, nós faremos intervenção no diretório’’, reafirmou.
Já a presidente regional do PMDB de Goiás, Dona Íris Rezende, adotou um discurso conciliador. A mulher do senador Íris Rezende (os dois têm o mesmo nome) acha que é possível a união entre as alas do ex-presidente Paes de Andrade e a de Jáder Barbalho, o atual presidente nacional do PMDB. ‘‘O Jáder me disse que trabalha pelo lançamento de uma candidatura própria do PMDB em 2002. Por que não buscarmos a unidade a partir dessa vontade comum?’’, indagou.
Dona Íris fez um discurso empolgante, chamando a militância para o trabalho. ‘‘O PMDB precisa retomar o diálogo interno, em defesa das bases. Nós, lideranças, devemos estabelecer uma agenda política para estancar o racha. Um movimento em torno da união do partido’’, assinalou. A presidente do PMDB goiano disse que pelo tamanho do partido é natural que haja diferenças.
Os demais peemedebistas não economizaram críticas. ‘‘A defesa da federação está sendo destruída’’, afirmou Paes de Andrade. ‘‘Queremos fazer uma mobilização nacional para que a base do partido seja ouvida na cúpula e o PMDB deixe a base de sustentação deste governo’’, discursou Quércia. (Colaborou Leandro Donatti).Reunidos ontem em Londrina, lideranças aprovaram saída da base aliada. Documento será encaminhado à direção nacional
Fotos: Paulo WolfgangFALÊNCIAItamar: ‘‘Se não fosse o socorro do FMI, País estava na moratória’’UNIÃODona Íris Rezende: ‘‘Partido precisa retomar diálogo com as bases’’

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