Os deputados estaduais do PMDB Durval Amaral e Cleiton Crisóstomo têm dois dias para assinar o projeto de resolução que prevê a instalação de uma CPI para investigar os contratos do governo do Estado com as montadoras, sob pena de expulsão do partido. A notificação oficial foi entregue ontem à tarde pelo líder da bancada na Assembléia Legislativa, Orlando Pessuti.
Se Amaral e Crisóstomo - que desde o início do governo Jaime Lerner mostram-se alinhados ao Palácio Iguaçu - insistirem na posição de boicotar a CPI articulada pela oposição, a executiva do PMDB vai acionar a Comissão de Ética do partido e iniciar um processo interno, que deve culminar com o desligamento dos parlamentares. Ao contrário das outras investidas, desta vez há uma vontade política da direção peemedebista em punir os ‘infiéis’.
Crisóstomo disse ontem que vai analisar bem a questão. ‘‘Tenho que garantir primeiro que o governo não irá deixar de atender os meus municípios, para depois tomar uma atitude’’, diz o peemedebista, que não descarta a possibilidade de troca partidária. ‘‘Além do mais, não sou apaixonado por partidos. PMDB, PSDB e PFL para mim são a mesma coisa’’, exagera.
A pressão da oposição sobre Durval e Crisóstomo se justifica. A assinatura dos dois engorda a lista da CPI. Garantidos até agora, Pessuti tem os oito votos do PMDB e os cinco do PT. Para a instalação da Comissão é necessário o aval de 18 parlamentares.
A oposição conta com as dissidências do PSDB para fechar o quórum mínimo. Antonio Anibelli e José Maria Ferreira, fiéis-escudeiros do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias, aguardam uma posição da bancada para emprestar seu apoio ao documento. Os tucanos se reuniram na última segunda-feira, mas não chegaram a um consenso.
Para responder aos ataques da oposição, o líder do governo na Assembléia, Valdir Rossoni (PDT), disse ontem que a base de sustentação de Lerner no Legislativo também estuda a possibilidade de instalação de algumas CPIs, pelo menos quatro. Entre elas - todas durante o governo Roberto Requião (PMDB) - a que investigaria a morte do sem-terra Teixerinha, a compra de dois helicópteros do Canadá supostamente superfaturados, o Porto de Paranaguá, e a distribuição de ovelhas e novilhas de material genético inferior.

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