PMDB consolida coligação com PT
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terça-feira, 15 de junho de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O PMDB irá mesmo se coligar com o PT nas eleições municipais de Curitiba deste ano. Por 67 votos a 47, a tese que pregava o apoio ainda no primeiro turno à candidatura do deputado estadual Ângelo Vanhoni (PT) à prefeitura saiu vitoriosa na convenção do partido realizada ontem à noite. A aliança prevê a indicação do ex-secretário de Estado para Assuntos Estratégicos, Nizan Pereira, para ser o vice na chapa de Vanhoni.
O resultado final da convenção acabou com as pretensões do deputado estadual Rafael Greca e do deputado federal Gustavo Fruet de lançar uma candidatura própria do PMDB no pleito de outubro. A diferença de votos foi até mesmo maior do que previa o secretário de Estado de Educação, Maurício Requião, principal defensor de uma aliança dos partidos de esquerda em torno do nome de Vanhoni junto com o presidente municipal da sigla, Doático dos Santos.
A maior dificuldade do partido agora será reunir a militância em torno da coligação PT-PMDB. Apesar do clima na convenção de ontem ter sido bem mais tranquilo do que o da eleição para o diretório municipal no ano passado, quando Gustavo Fruet acusou Doático dos Santos de falta de lisura na condução do processo, os dois lados admitem que o partido não sai unido da votação.
O candidato mais ressentido após a derrota é Fruet. O deputado federal acredita que o PMDB ''deu um tiro no pé'' ao decidir pela coligação com o PT. ''Esse resultado define a história futura do PMDB. Partido que não disputa eleição não existe politicamente. Acredito que política se faz com perspectiva, e a partir de hoje começo a repensar minha história dentro do partido'', disse Fruet. O parlamentar não descartou a hipótese de deixar a sigla. ''Algo vai mudar. Talvez não seja necessário deixar o partido, mas repensar minhas posições dentro dele'', destacou. Também são grandes as chances que a irmã de Fruet e secretária de Estado do Planejamento, Eleonora Fruet, deixe seu cargo no governo. O assunto teria sido discutido em família.
Um dos fatores que pode evitar um racha maior no partido é que Nizan Pereira tem um bom trânsito entre os demais peemedebistas de Curitiba. Em seu primeiro discurso após a convenção, Nizan fez questão de destacar que irá buscar a união do partido. ''No partido, temos divergências estratégicas pequenas, mas irei representar todos os filiados, e não apenas os que votaram em mim. O fato é que se faz necessária a consolidação de uma grande frente de esquerda nesse momento, como a que elegeu o governador Roberto Requião (em 2002). Só assim temos chances de vitória'', salientou.


