PMDB condiciona indicações à nomeações
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quarta-feira, 02 de maio de 2007
João Domingos, Eugênia Lopes e Denise Madueño<br>Agência Estado 
Brasília - O PMDB condicionou ontem a indicação de seus quatro representantes na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo à nomeação de seus quadros para o segundo escalão. De acordo com informação de líderes de partidos da base do governo, o PMDB fez duas listas para os seus quatro titulares e quatro suplentes. Numa, constariam os nomes de parlamentares que seriam mais rígidos com o governo; noutra, os de deputados menos exigentes. Por ser o maior partido, caberá ao PMDB a presidência da CPI. O PT ficará com a relatoria. A CPI será instalada hoje às 15 horas.
Na primeira lista do PMDB, estariam, por exemplo, os deputados gaúchos Ibsen Pinheiro e Cezar Schirmer. Este foi o autor do mais contundente parecer contrário a um petista jamais apresentado ao Conselho de Ética da Câmara, no qual pediu a cassação do mandato do deputado João Paulo Cunha (SP), por envolvimento com o mensalão; aquele é tido como um parlamentar inflexível, responsável pela abertura do processo de impeachment contra o ex-presidente Fernando Collor, embora, dois anos depois, tenha sido cassado por suspeita de envolvimento no desvio de verbas do Orçamento da União, fato apurado por uma CPI. Ibsen teria até hoje parlamentares do PT que votaram pela sua cassação atravessados na garganta.
Da segunda lista participaria o deputado Marcelo Castro (PI), cotado também para ser presidente da CPI. Como o cargo de presidente caberá ao PMDB, o de relator será do PT. Estão cotados para o cargo os deputados Candido Vacarezza (SP) e Marco Maia (RS). O líder do PT, Luiz Sérgio (RJ), contou ainda que tentou trocar com o PMDB o cargo de relator pelo de presidente. Mas o parceiro não quis fazer o negócio.
''A presidência cabe ao PMDB e o cargo de relator ao PT. Disse ao PMDB que não teria problemas em fazer uma troca, mas fui comunicado hoje (hoje) que eles preferem a presidência. Então, vamos ficar com a relatoria''.
''O que posso dizer é que o PMDB tem segurado muita coisa por causa da nomeação do segundo escalão'', disse o líder do PR, Luciano Castro (RR). ''O PMDB de Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro vai agir unido. Se não for atendido o pleito de um, o outro se sentirá também prejudicado'', afirmou o deputado Carlos Willian (PTC-MG).
Por causa da confusão provocada pelas desconfianças contra o PMDB, o PT suspendeu a indicação de seus integrantes. O líder Luiz Sérgio anunciou que só hoje vai entregar os nomes dos quatro titulares e quatro suplentes. Justificou a demora com o excesso de candidatos às vagas. ''Tem 14 deputados do PT querendo participar e só temos oito lugares'', disse ele.
Apesar da maioria numérica folgada do governo na composição da CPI - 16 aliados contra 8 de partidos de oposição - o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), evita qualificar a CPI de governista. ''Não acredito em CPI chapa-branca. Todo mundo sabe como uma CPI começa, mas não sabe como termina'', afirmou, repetindo uma frase que todo parlamentar pronuncia quando fala de CPI.
Fontana, no entanto, contrariou Chinaglia e disse que a CPI ficará sob o comando do governo. ''O governo não vai permitir que se crie um ambiente de fim do mundo, como se criou na CPI dos Bingos'', disse.


