A bancada do PMDB na Assembléia Legislativa, composta por sete deputados, decidiu ontem pedir explicações ao deputado federal José Borba (PMDB-PR), que admitiu anteontem ter emprestado R$ 92.160 do ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi – principal acusado pelos desvios de pelo menos R$ 54 milhões – que podem chegar a R$ 100 milhões. Paolicchi está preso. ‘‘Queremos saber exatamente quais são as relações dele com a Prefeitura de Maringᒒ, disse o líder do partido na Casa, Nereu Moura.
O líder está encaminhando um ofício à Comissão de Ética do partido, solicitando que a comissão convoque Borba para esclarecer o assunto. ‘‘Se considerarmos suas respostas não convincentes, vamos pedir a desfiliação’’, emendou Moura.
Segundo Moura, que foi reconduzido ontem à liderança do PMDB na Assembléia, não está descartada a possibilidade de expulsão. ‘‘Mas só se ele não quiser se explicar’’, frisou. O deputado disse que conversou ontem pela manhã com o presidente do partido, o senador Roberto Requião (PMDB). ‘‘Comentei a possibilidade de pedir a expulsão do Borba, mas na reunião com a bancada decidimos esperar que ele se pronucie’’, contou.
Orlando Pessuti (PMDB), líder do bloco de oposição, destacou que não pode haver pré-julgamento dos fatos. ‘‘É importante que ele (Borba) possa esclarecer o assunto e o partido precisa ouvi-lo’’, argumentou Pessuti.
Borba foi beneficiado com um depósito feito por Paolicchi na conta do extinto Instituto de Previdência do Congresso (IPC), em Brasília, para pagamento de contribuição previdenciária de parlamentar. Acompanhado do advogado Roberto Bertoldo, ele procurou, anteontem, o promotor José Aparecido da Cruz, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público em Maringá. O deputado entregou um termo de declaração e se comprometeu a devolver a quantia desviada da prefeitura.
Borba admitiu que foi beneficiado pelo depósito mas disse que apenas fez um empréstimo pessoal junto ao ex-secretário. Mas o deputado afirmou que não conhecia a origem do dinheiro. O advogado dele disse que Borba nega que tenha autorizado ou tenha conhecimento sobre qualquer tipo de desvio em Maringá.
Ainda de acordo com o advogado, o deputado começou a desconfiar que poderia ter se beneficado com dinheiro desviado no dia 28 de janeiro, quando a imprensa noticiou que o Ministério Público (MP) havia encaminhado carta precatória para o Distrito Federal pedindo informações sobre o depósito no IPC.
Bertoldo disse ainda que o deputado Borba está disposto a quebrar seus sigilos bancários e fiscal. O advogado explicou ainda que antes de o caso se tornar público, Borba procurou Paolicchi para tentar parcelar o pagamento do empréstimo, mas o ex-secretário teria falado que preferira receber integralmente.
A Folha procurou ontem o deputado federal em seu gabinete em Brasília e também no celular, mas ele não foi encontrado.

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