PMDB articula reunião Itamar-FHC
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sábado, 09 de janeiro de 1999
Gerson Camarotti Agência Estado 
Uma conversa entre o presidente Fernando Henrique e Itamar Franco pode ocorrer nos próximos dias. Segundo um integrante da executiva do PMDB, será uma tentativa de buscar um entendimento e resolver a crise gerada com a decretação da moratória anunciada pelo governador mineiro. Os ministros da Justiça, Renan Calheiros, e dos Transportes, Eliseu Padilha, foram destacados para atuarem como bombeiros desse incêndio. Outro que vai tentar interferir no caso é o presidente do PMDB, senador Jáder Barbalho, que ontem tentava falar com Itamar pelo telefone, além de ter agendado um encontro com Fernando Henrique nesse final de semana.
Ontem, Barbalho defendeu o diálogo entre FHC e Itamar para contornar a crise. Esse impasse tem que ser superado com o diálogo, disse Jáder. Segundo o senador, todo o problema foi causado por dificuldades de comunicação entre o segundo escalão do Ministério da Fazenda e assessores do governo de Minas. Ninguém pode romper um diálogo quando está em jogo a administração das coisas públicas, por isso acho possível a manutenção desse relacionamento. Barbalho ressaltou que o contrato foi feito para ser cumprido, mas que é possível ser renegociado.
O presidente do PMDB lembrou que recentemente o governo federal alterou uma MP para prorrogar por um ano o pagamento da dívida de seis Estados com a União. O precedente apareceu na reedição da MP 1.702-31, feita no dia 27 de novembro, e que acabou beneficiando São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Pará, Piauí e Maranhão. Esses Estados deveriam pagar até o dia 30 de novembro 20% do valor de suas dívidas. Caso não pagassem esse valor, os juros anuais subiriam de 6% para 7,5%.
Essa foi uma moratória negociada de um ano e o Itamar só quer três meses, observou Jáder. Isso mostra que havia um contrato e que foi modificado por interesses políticos, completou, lembrando que na ocasião o governo de São Paulo acenava com grandes dificuldades em pagar a dívida. Para ele, se for feito um entendimento semelhante ao da MP 1.702 não haverá enfraquecimento de nenhum dos dois lados. Tecnicamente já temos uma solução, comemorou. O que não pode agora é que nenhum dos dois lados permaneça no equívoco.
A decretação da moratória por Itamar acabou gerando uma crise no PMDB. Mas dentro do partido uma coisa está clara: o jogo que Itamar está fazendo é muito mais regional do que nacional. A bomba explodiu na mão do Itamar, observa o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), da executiva do partido.
Estamos pisando em ovos, disse o vice-líder do PMDB, deputado Wagner Rossi (SP). Para o governo, a rebelião de Itamar pode trazer surpresas desagradáveis. Isso porque ele controla os 13 votos do PMDB de Minas, já que loteou praticamente todo o seu secretariado. É preciso um entendimento urgente, avisou Henrique Alves.
Enquanto isso, a Executiva Nacional do PSDB divulgou ontem uma nota qualificando de pouco responsável a decisão de Itamar Franco de decretar a moratória. A nota afirma que a moratória de 90 dias é inepta quanto aos seus efeitos e pretendeu ameaçar o projeto estratégico do governo Fernando Henrique, confirmado nas urnas de outubro último por 36 milhões de eleitores.
A Executiva do PSDB diz também que o governador, absurdamente, negou os termos do acordo (de rolagem da dívida mineira) estabelecido quando o próprio Sr. Itamar Franco era presidente da República. Na nota, a Executiva afirma que o PSDB, fortalecido em sua coerência e em sua convicção, denuncia a manobra do governador de Minas Gerais como meramente política, que promove o confronto e não o diálogo, e desacredita no Brasil amadurecido, que não aceita leviandades e retrocessos.


