A cúpula do PMDB, que articulou com a oposição a saída de cena do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), negocia agora ‘‘garantias’’ para facilitar a renúncia do correligionário do cargo de presidente do Congresso. O lançamento oficial do senador José Fogaça (PMDB-RS) para suceder Jader, ocorrida esta semana, lhe deu a senha de que será impossível voltar à presidência depois da licença de 60 dias. Feito isto, dirigentes do partido começaram a acertar com a oposição e o Palácio do Planalto o afastamento definitivo do presidente licenciado, ‘‘sem arbitrariedades e sem humilhação’’.
‘‘Já há um diferencial claro entre o encaminhamento do caso Jader e a forma como ocorreram episódios de afastamento anteriores, como no caso do ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF)’’, destaca um dirigente peemedebista. Jader teme passar por um vexame do tipo a que o ex-presidente do Banco Central (BC) Francisco Lopes foi submetido, durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos, quando deixou o Congresso algemado. ‘‘Estamos trabalhando para que tudo seja feito sem pirotecnia’’, conta o político.
À frente desta articulação, está o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), principal negociador do pedido de licença, novamente em parceria com o líder do PSDB, Sérgio Machado (CE). O ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP) tem sido consultado sobre cada movimento do grupo. Cotado para substituir Jader, Sarney tem atuado com muita discrição e apenas nos bastidores. A dobradinha dele com Calheiros tem sido tão afinada, que muitos senadores suspeitam de que o líder da legenda só admitiu entrar na disputa pela presidência com Fogaça para poupar Sarney de desgastes e, ao fim, renunciar em favor dele.
O PMDB tem interesse em apressar a substituição por conta dos resultados de uma pesquisa de opinião, mostrando que os simpatizantes da agremiação avaliam que o caso Jader ainda não contaminou a imagem do para o partido. Esta faixa do eleitorado acredita que a legenda está mais identificada hoje com as caras do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, do senador Pedro Simon (PMDB-RS).
Ao mesmo tempo em que busca uma saída ‘‘honrada’’ da presidência do Senado, Jader mexe as peças para se defender das acusações de corrupção. Ontem, ele ingressou na 6ª Vara Cível de Manaus (AM) com uma interpelação contra o deputado Mário Frota (PDT), que teria afirmado em uma conversa telefônica com o empresário David Benayon que o senador estaria exigindo U$$ 5 milhões para forçar a liberação de verbas para dois projetos na extinta Sudam. O teor da conversa telefônica na qual aparece somente a voz de Frota foi publicado na edição desta semana da revista IstoÉ. Frota será notificado na próxima terça-feira pela justiça amazonense para responder, no prazo de 48 horas, se confirma ou desmente a conversa publicada pela revista.

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