PMDB aposta em alianças; PSDB tem Beto como cabo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Luciana Cristo <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os cálculos dos partidos políticos para saber quanto é possível crescer em número de prefeituras nas eleições municipais de outubro já começaram a ser feitos. Apesar de as negociações por alianças partidárias ganharem força a partir de março, a linha geral das estratégias já está sendo traçada. De um lado, o PSDB, que tem o governador do Estado como principal representante do partido, conta com isso como possibilidade para aumentar o seu quadro entre os prefeitos. De outro, o PT também está de olho nessa fatia, e o trabalho estará focado em pelo menos três grandes cidades do Paraná. O consenso é que, desde os partidos que detêm o comando do maior número de cidades até aqueles com o controle de cinco ou seis prefeituras, o otimismo é grande com resultados favoráveis.
Hoje líder disparado em eleger o número de prefeitos no Paraná, o PMDB estima a possibilidade de aumentar seus nomes em cerca de 10% e analisa a possibilidade de crescimento de outras legendas. ''Se aumentarmos em 10% já me daria por satisfeito. Temos que ser realistas, nós temos em torno de 140 prefeituras, o maior número de prefeitos, de vice-prefeitos, de vereadores e, logicamente, o PSDB, que está no governo, vem com força para disputar as eleições. O PT está trabalhando muito, a gente nota que pretende aumentar, mas nós temos a maior estrutura, quadros politizados em praticamente todos os municípios e queremos, além da manutenção desse número, fazer um pouco mais'', sintetiza o líder do PMDB no Paraná, Waldyr Pugliesi.
E, nas eleições municipais, nem sempre as alianças construídas estadual ou nacionalmente prevalecem. ''Vejo, em muitos lugares, a possibilidade de aliança PMDB-PT, enquanto em outros estou vendo o esboço de parcerias com o PSDB e não descarto alianças do DEM com o PMDB, por exemplo, onde não for possível ter candidatura própria'', diz Pugliesi.
O líder peemedebista do Paraná cita ainda outras legendas para demonstrar que ''tudo vale'' em uma eleição. ''Quando você vê um (Gilberto) Kassab que forma um partido que não tem ideologia, é um partido que só tem estômago, dizendo que pode se compor com o PT... Você vai ver muitas vezes a aliança da penicilina com a bactéria. A política é assim. O próprio (Gustavo) Fruet que sempre esteve na contramão do PT, hoje tudo indica que vai ter o apoio do partido (em Curitiba). Ou seja, aquilo que parece impossível hoje, amanhã se torna realidade'', completa.
Com o governo estadual nas mãos e o segundo maior número de prefeituras atualmente, os tucanos projetam um bom crescimento. ''Temos 40 prefeituras e a ideia é ultrapassar a casa dos 100. Pensando em um número pé no chão, seriam 100 prefeitos. Em cidades muito pequenas há uma leitura muito forte de que prefeitos estando ao lado de governador têm um peso maior, vai ser melhor para o município. Não quer dizer que o governo vá discriminar prefeitos de outros partidos, mas é algo cultural essa vinculação'', afirma o líder do governo na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, deputado Ademar Traiano. O PSDB conta ainda com uma mobilização da juventude do partido, inclusive com o filho do governador Beto Richa, Marcelo Richa, como presidente nacional da ala partidária. A Juventude PSDB está com metas próprias para lançamento de candidatos jovens pelo Paraná.
O aumento no número de prefeitos é previsto também em outras legendas. Com a decisão de lançar candidato próprio em cidades importantes, como Londrina (Márcia Lopes), Maringá (Ênio Verri) e Foz do Iguaçu (Jorge Samek), a perspectiva do PT é chegar ao comando de 50 cidades do Estado, de acordo com o líder estadual do partido, Ênio Verri.
Do lado do PSC, com o lançamento de aproximadamente 80 candidatos a prefeito, a intenção é ganhar em 15 ou 20 municípios, de acordo com o líder estadual Ratinho Junior.
No PP, também há perspectiva de crescimento: ''Estamos com 40 prefeitos, esperamos chegar a 60. Podemos atingir Maringá, Londrina e Toledo, cidades em que estamos bem posicionados. Dentro dessa aliança majoritária, o PP vai poder dar a sua contribuição para o crescimento partidário'', diz Ricardo Barros, que é o responsável pela comissão nacional de preparação das candidaturas para 2012 no PP.
Tendo atualmente algumas das principais prefeituras do interior do Estado, como Barbosa Neto em Londrina, Paulo Mac Donald Ghisi em Foz do Iguaçu, e Edgar Bueno em Cascavel, o PDT projeta a possibilidade de vencer em 70 ou 80 prefeituras paranaenses, entre reeleições e novas candidaturas. Algumas das principais apostas são o próprio Barbosa Neto em Londrina e o deputado estadual Augustinho Zucchi em Pato Branco. Além disso, o PDT espera eleger de 55 a 65 vice-prefeitos, com as articulações que estão sendo feitas. Em relação aos vereadores, que hoje são 345, a ideia é ampliar para um número que pode se situar na casa dos 450 a 480 parlamentares representantes do partido.


