PMDB ameaça rebelião contra o PFL e FHC
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
O PMDB ameaça reagir contra o PFL se o partido votar segunda-feira a favor do impeachment do governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira (PMDB), e do vice-governador José Augusto Hulse, na Assembléia Legislativa. O eventual estremecimento nas relações entre os dois partidos pode acabar criando problemas para o governo nas votações previstas para a próxima semana no Congresso Nacional. O PMDB não aceita que o vice seja também afastado do cargo.
A inclusão do vice-governador no processo demonstra uma radicalização política inaceitável, disse ontem o vice-presidente nacional do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). O fato mais grave, que torna a questão nacional, é o de que a decisão teria sido articulada diretamente pelo presidente do PFL, afirmou o deputado, referindo-se ao embaixador brasileiro em Portugal, Jorge Bornhausen, presidente licenciado do partido.
A irritação dentro do PMDB pela decisão do PFL de defender também o afastamento de Hulse chegou a levar o ex-presidente José Sarney a enviar de Paris ao líder do partido no Senado, Jader Barbalho (PA), uma nota de solidariedade. No documento, ele repete os argumentos de Alves e faz uma crítica indireta ao PFL. O desejo de estender ao vice-governador a decisão de cassar mandatos executivos demonstra o aspecto político do processo, acusa Sarney.
De acordo com Henrique Alves, o presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), tentarão neste final de semana encontrar uma solução política para a crise aberta entre o PMDB e o PFL. Coube ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), segundo o deputado, pedir ajuda de Fernando Henrique para buscar essa solução política. O presidente do Senado, por sua vez, prometeu a Jáder Barbalho conversar sobre o tema com dirigentes do PFL catarinense.
Fica Mesmo com a decisão da direção do PFL de fechar questão pelo voto pró-impeachment, o governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira (PMDB), descartou ontem qualquer possibilidade de renunciar antes da sessão de segunda-feira, na Assembléia, que vai decidir seu futuro. Não precisam ficar de prontidão neste fim de semana porque isso não vai acontecer, afirmou o governador. Essa hipótese não está sendo tratada.
Após uma cerimônia de entrega de veículos a 40 municípios do Interior, o governador disse que ainda espera pelos votos do PFL e de outros partidos de oposição. A reunião do PFL foi polêmica e no momento de um julgamento o deputado vota como um magistrado, disse o governador. Durante seu discurso na cerimônia, Paulo Afonso até brincou com a situação. Pode aparecer amanhã nos jornais que este foi meu último ato como governador, mas não se preocupem, disse Paulo Afonso. Vou confiante para esta segunda-feira, quando tenho certeza que a justiça prevalecerá e o golpe não vingará.
Apesar do discurso otimista, Paulo Afonso enfrentou ontem, pela primeira vez, manifestações a favor do impeachment na frente do Palácio Santa Catarina. Um grupo com estudantes disputou com peemedebistas gritos de ordem.


