Brasília - O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), destituiu ontem os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Em uma manobra que pode beneficiar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), os dois senadores da ala de oposição do partido serão substituídos por Almeida Lima (PMDB-SE) e Paulo Duque (PMDB-RJ), considerados fiéis aliados do presidente do Senado.
Jarbas e Simon vêm defendendo publicamente o afastamento de Renan da presidência da Casa, além de adotarem postura de confronto com o governo federal. Como os processos contra Renan terão que ser avalizados pela CCJ antes de seguirem para o plenário do Senado - caso o conselho recomende a cassação de Renan- o PMDB quer garantir aliados do senador na comissão.
Jarbas atribuiu o seu afastamento, ''sem dúvidas'', a uma articulação orquestrada por Renan. ''Estou numa luta que já pressentia. O real PMDB somos nós, estava preparado para o pior. Não posso me surpreender. Passaram dos limites'', criticou.
Muito irritado, Simon disse que nem na ditadura militar sofreu um golpe tão duro como o proferido pelo seu partido. ''A ditadura não conseguiu me cassar, e agora me acontece isso. Passei por ela sem ter uma violência como esta. Isso é coisa do grupo deles, (José) Sarney e Renan'', reagiu.
O presidente da CCJ, senador Marco Maciel (DEM-PE), também criticou o afastamento dos peemedebistas. ''Fiquei surpreso com a decisão de afastar os ilustres senadores. Minha estranheza é tanto maior quando se sabe que tal procedimento não está em harmonia com as tradições da Casa, caracterizada pelo espírito das opiniões dos parlamentares'', afirmou.
Raupp comunicou o afastamento dos parlamentares em comunicado lido no plenário do Senado. O peemedebista, no entanto, não compareceu ao Senado para formalizar o pedido, apenas encaminhou a determinação para o afastamento dos senadores por meio do comunicado.

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