PMDB adere à mobilização contra crise
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terça-feira, 15 de setembro de 1998
Rosa Costa Agência Estado 
Antes mesmo de ser oficializado ontem no cargo de presidente do PMDB, o senador Jáder Barbalho (PA) anunciou o apoio do partido à idéia de mobilizar o Congresso para votar as reformas necessárias a preservar a estabilidade da moeda. O partido endossou a proposta dos presidentes do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), de apoiar o governo nos três pontos considerados prioritários para enfrentar a crise financeira mundial: a conclusão da votação da reforma da Previdência, a mudança em pontos dos regimentos da Câmara e do Congresso que dificultam as votações e a aprovação de uma reforma tributária de emergência. Será a mobilização dos partidos políticos, estados e municípios, disse Temer.
Temos que fazer todos os esforços para dotar o País de instrumentos capazes de torná-lo menos vulnerável à crise, afirmou Barbalho. Segundo ele, deve haver uma mobilização de toda a sociedade e não apenas dos partidos políticos. O senador disse que a iniciativa de propor as medidas de ajuste deve partir do Executivo, logo ao final do primeiro turno das eleições. Quanto mais rápido agirmos, mais rápido ficaremos livres do pesadelo de ter que enfrentar a recessão, previu.
A opinião do novo presidente do PMDB é, em síntese, o que esperam governadores, ministros e parlamentares que ontem elegeram o novo diretório nacional do partido. Poucos são os que ainda estão relutantes, como o deputado Paes de Andrade (CE), que entregou a presidência a Jáder, e o senador José Sarney (PMDB-AP). Paes põe em dúvida a disposição do presidente Fernando Henrique Cardoso de, finalmente, levar a reforma tributária adiante. Sarney alegou que não existe no Brasil nenhuma situação de emergência que justifique a aprovação de uma reforma tributária incompleta. Tem que abaixar os impostos e aumentar a base de cobrança, sugeriu. O simples aumento de imposto não é uma reforma tributária.
Para o governador do Rio Grande do Norte, Garibaldi Alves, a crise veio despertar governo e parlamentares sobre a urgência em dotar o País de uma reforma tributária. Segundo ele, deve haver uma ampla negociação no debate da reforma para impedir que as mudanças prejudiquem estados e municípios. Não dá mais para adiar o assunto, porque já perdemos muito tempo, defendeu o governador de Rondônia, Valdir Raupp. O senador Íris Rezende (GO), na frente da disputa ao governo de Goiás, disse que ninguém com responsabilidade pode se negar a avançar com as questões essenciais ao equilíbrio das contas públicas.
O ministro dos Transportes, Eliseu Padilho, assegurou que o PMDB vai avançar com as propostas. Agora, o partido tem comando, ressalvou. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), senador Fernando Bezerra (RN), disse que não resta outra alternativa, senão a de esperar que essa mobilização realmente assegure a aprovação de uma reforma tributária de emergência. Se não sair agora (a reforma), estamos liquidados, previu. Para o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA), não há dúvida sobre o assunto, porque está convencido de que as normas tributárias serão aprovadas o mais rápido possível.


