PMDB acusa Cassio de abuso de poder
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domingo, 20 de outubro de 2002
Katia Michelle<br>Equipe da Folha 
Curitiba O departamento jurídico do PMDB quer que o Ministério Público (MP) Eleitoral investigue práticas de abuso de poder econômico e político pelo prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL); da sua mulher, a presidente da Fundação de Ação Social Marina Taniguchi, e da Coligação Vote 12.
O partido acusa o prefeito de utilizar funcionários públicos na campanha do candidato ao governo Alvaro Dias (PDT), de fazer boca de urna no primeiro turno e planejar o mesmo esquema para as votações do segundo turno. A denúncia é baseada em duas fitas, de áudio e vídeo, gravadas em uma reunião no último sábado, no comitê de Alvaro, na Rua Mateus Leme, em Curitiba.
Os pedidos de representação serão entregues hoje, pelo secretário-geral do PMDB e coordenador jurídico da campanha Luiz Carlos Delazari. Ele informou que as fitas de vídeo que serão apresentadas mostram ônibus da prefeitura estacionados em frente ao comitê, além de funcionários públicos participando da campanha. Já a degravação das fitas de áudio reproduziriam discurso de Marina e do deputado Luciano Pizzatto derrotado na campanha ao Senado e atual coordenador da campanha de Alvaro comprovando o trabalho dos funcionários na campanha para governador, o que é irregular.
''Queremos que o Ministério Público Eleitoral investigue essas denúncias com a máxima urgência e esperamos que providências sejam tomadas'', disse Delazari. Segundo ele, as fitas gravadas comprovariam um esquema chamado de ''Casa a casa'', em que os funcionários públicos teriam a obrigação de visitar 250 mil casas até o final da semana, na tentativa de angariar votos para Alvaro.
Com base nas fitas, o PMDB também quer que o MP investigue a origem dos recursos utilizados para postar cerca de 800 mil correspondências contendo acusações contra o senador Roberto Requião, que teriam sido citadas no discurso de Marina. Segundo o PMDB, seriam necessários cerca de R$ 300 mil para enviar a correspondência. ''Esperamos que um promotor designado escute os funcionários públicos e as pessoas citadas na fita para comprovar as denúncias'', disse Delazari.
A prefeitura informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que só vai se manifestar depois de receber uma acusação formal sobre o assunto. Já o coordenador da campanha de Alvaro, Luciano Pizzatto, classificou a acusação de ''burrice'' e informou que as pessoas que trabalham na campanha são voluntários e trabalham fora de seu horário na prefeitura.


