PMDB abre processo contra Pessuti
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
O PMDB abriu processo ético disciplinar contra o ex-vice-governador do Paraná Orlando Pessuti por ter participado do programa eleitoral de Beto Richa (PSDB) na noite de anteontem, criticando e pedindo para que o eleitor não vote no candidato de seu partido ao governo do Estado, Roberto Requião. A decisão sai no mesmo dia em que a Justiça Eleitoral negou pedido de direito de resposta ao peemedebista pelo ataque do desafeto correligionário.
Pessuti foi escalado por Beto para criticar Requião no dia em que o peemedebista prometia uma "bala de prata" contra o tucano. Em seu depoimento, ele critica o ex-aliado e pede ao eleitor que não vote em Requião, antes de prepará-los para os ataques que eram prometidos há quase uma semana. Porém, o espaço de Requião foi cedido em um minuto para direito de resposta a Beto e, no restante, a candidata a vice Rosane Ferreira (PV) pede votos para a chapa.
A Justiça Eleitoral impediu a reprise dos comentários, mas negou direito de resposta porque considerou que não houve pedido por parte da legenda. "A ação é de direito de resposta, como não houve pedido?", reclama Luiz Fernando Delazari, da equipe de campanha de Requião.
Pessuti faz parte da ala do PMDB favorável a uma coligação com o PSDB, mas Requião, em convenção partidária, conseguiu o direito de concorrer. Apesar de acordo partidário que permitiu apoio dos dissidentes aos tucanos, a aparição no horário do adversário pesou.
Ontem, o presidente do diretório estadual do PMDB, Rodrigo Rocha Loures, publicou nota de repúdio à atitude do partidário. "Pessuti, que visivelmente não conseguiu absorver a derrota na convenção estadual, deixou para trás seu passado de PMDB, agindo de forma contrária ao estatuto e aos princípios mais fundamentais da ética partidária, que sempre foram e continuarão a ser as bases do PMDB", diz a nota.
Para Loures, o ato caracteriza descumprimento das normas estatutárias "com claro objetivo de tumultuar o processo eleitoral" e, por isso, a sigla decidiu abrir o processo que pode culminar na expulsão do filiado.
Em entrevista ontem à FOLHA, Pessuti disse que a Executiva nacional abriu precedentes para que seus correligionários possam pedir votos para candidatos do outro partido. Afirmou, ainda, que o próprio Requião já trabalhou em eleições passadas contra candidatos peemedebistas e que não criticou o próprio partido. "Apenas pedi para não votarem no Requião."
Requião, por sua vez, não fez comentários diretos sobre o episódio envolvendo Pessuti em sua TV 15, no qual comenta, pela internet, o programa eleitoral dos adversários. Sobre o próprio programa do adversário tucano, Requião classificou de "extremamente agressivo".


