PMDB abre espaço para reeleição de Lula
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segunda-feira, 12 de junho de 2006
Andreza Matais<br>Folhapress 
Brasília - A decisão do PMDB de desistir da candidatura própria ao Palácio do Planalto joga o partido nos braços do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PT não terá o apoio formal da legenda, mas a maioria do PMDB garantirá palanque para sua reeleição. A Executiva nacional do PMDB decidiu ontem, por unanimidade, que o partido não terá candidato próprio à Presidência da República e que, portanto, não vai realizar convenção nacional neste mês, marcada originalmente para o dia 22.
A decisão libera os candidatos a governador a fazer as coligações estaduais da forma que acharem mais conveniente. O pré-candidato à Presidência, o senador Pedro Simon (RS), já indicou que vai desistir de disputar a indicação da legenda.
Os governistas já se articulam para lançar o movimento Pró-Lula, que irá reunir, em princípio, 16 diretórios. Segundo o deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE), o anúncio será feito assim que Lula formalizar a candidatura, o que ocorrerá em 29 de junho. ''Agora nós estamos mais confortáveis para apoiar o presidente'', disse.
Nas contas dos governistas, o número de estados em que o partido irá apoiar o petista deve ficar entre 16 e 21. Não entram nesta lista localidades como Mato Grosso do Sul, Acre, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pernambuco, Paraná e o Distrito Federal. Interlocutores do PMDB dizem que Rio de Janeiro e São Paulo caminham para apoiar o presidente Lula. Os que darão palanque ao petista levam em conta os números das pesquisas eleitorais que indicam vitória do presidente já no primeiro turno. Apoiar hoje Geraldo Alckmin seria perder votos, dizem.
Numa conversa com os senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), ontem à noite, Lula deveria fechar os detalhes de um acordo que lhe garanta o apoio do PMDB num eventual segundo mandato. Os dois cobrarão mais espaço nas discussões das políticas públicas e mais cargos num novo governo. O diálogo ficaria impraticável caso o PMDB mantivesse a tese da candidatura própria.
O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aliado do ex-governador Anthony Garotinho, não tem dúvidas de que a decisão da Executiva em enterrar a candidatura própria e a convenção nacional ajuda o PT. ''Isso é óbvio. A única possibilidade de ter segundo turno é o PMDB entrar na disputa e o que eles querem é liquidar isso já no primeiro turno. Também serve para os governistas que agora vão ao Planalto pegar mais um pouco de cargo'', afirmou.


