O 2º tenente da Polícia Militar Alberto Silva Santos, suspeito de envolvimento no atentado à Promotoria de Investigações Criminais (PIC) em Curitiba, apresentou-se na madrugada de ontem. Ele negou envolvimento no caso, mas caiu em contradições no depoimento na Divisão de Narcóticos (Dinarc). O policial militar havia ficado seis dias desaparecido. Hoje, está preso sob ordem de prisão temporária, no Batalhão de Polícia de Guarda (Presídio do Ahú). O delegado-chefe da Dinarc, Adauto de Oliveira, considerou frágil a versão do policial.
Na segunda-feira, Adauto vai encaminhar à Justiça os pedidos de prisão preventiva de Santos e do policial civil Edson Clementino da Silva, o ‘‘Lambe-Lambe’’, que também está preso temporariamente no próprio Dinarc. Adauto disse que a participação dos dois pode ser provada. Na madrugada do atentado, o celular de Santos foi usado numa ligação para o celular de Lambe-Lambe. ‘‘Isso, ele (Santos) não consegue explicar’’, comentou.
Num dos trechos do interrogatório, Adauto perguntou a Santos se ele havia conversado com Lambe-Lambe depois do atentado. O tenente respondeu que não se lembrava. O delegado recordou que, quatro dias depois do incêndio, Lambe-Lambe e o tenente foram filmados por policiais na Lanchonete X-Picanha, do policial civil Mauro Canuto, que está preso sob acusação de envolvimento no atentado.
Tanto Lambe-Lambe como Santos afirmaram que se encontraram em boates de Curitiba na madrugada do incêndio. O delegado disse que os álibis ‘‘são inconsistentes’’. ‘‘O depoimento do Edson Clementino está desmontado. Quando foi para depor nos autos, ele mudou a história, mudou horários, pessoas e se complicou mais ainda’’, afirmou Adauto.
Santos disse que viajou no dia 5 deste mês para passar as férias em Mato Grosso. Para viajar, ele disse que usou o seu Gol, de cor branca. O carro usado no atentado seria de propriedade do tenente. Ele declarou que o veículo teve problemas mecânicos e foi levado para reparos numa oficina cujo nome não sabe, localizada em Campo Grande (MS).
As acusações contra o tenente foram reforçadas na quarta-feira pelo cabo João Sezipanski. Ele e o acusado eram colegas e trabalhavam no 13º Batalhão. Sezipanski conversou sobre o atentado com Santos. O cabo está no Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco), que presta apoio à PIC. Ele disse ao tenente que a polícia estava perto de identificar os autores do incêndio. Segundo Adauto, Santos ficou preocupado, confessou o envolvimento e pressionou Sezipanski a destruir as provas. Adauto contou que ‘‘o cabo se recusou, foi ameaçado de morte e decidiu levar o assunto para os superiores’’.
Durante a discussão, o cabo relatou que o nome do advogado Antônio Pellizzetti foi mencionado por Santos como um dos envolvidos no atentado. Pellizzetti deve ser ouvido hoje na Dinarc. ‘‘Ainda não dá para comprovar quem é o mandante, mas o depoimento de Sezipanski deixa de lado qualquer suspeição. Acreditamos que tenha algum valor e isso complica a situação dos demais envolvidos, no caso o próprio Canuto e o Dr. Pellizzetti’’, disse Adauto.

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