PM reprime protesto de servidores
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quarta-feira, 23 de julho de 2003
Agência Estado 
Brasília - Foi em clima de guerra que a comissão de deputados encarregada de discutir a reforma da Previdência começou a votar ontem a proposta. Soldados da tropa de choque da Polícia Militar, convocada pelo presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), tentaram impedir que servidores públicos contrários às mudanças entrassem no Congresso e ainda perseguiram pelos corredores do Legislativo os manifestantes que conseguiram driblar o bloqueio.
O sindicalista Rogério Fagundes forçou a passagem pela porta de vidro que dá acesso ao corredor das comissões e acabou algemado e arrastado por dois policiais militares. A tensão atingiu níveis comparáveis aos dos debates mais acalorados da Constituinte de 1988 - com a diferença de que o presidente da Assembléia Nacional, deputado Ulysses Guimarães, não chegou ao extremo de recorrer à PM.
A pedido de João Paulo, as quatro entradas principais do Congresso foram cercadas por uma centena de policiais militares. Mas o que despertou a ira de rebeldes do PT e de deputados avulsos de partidos aliados e de oposição ao governo, como o PMDB, o PFL e o PP, foi ver a polícia fardada e armada cruzando corredores da Câmara até à porta de entrada.
O enfrentamento entre manifestantes e policiais ocorreu sob um apitaço estridente de sindicalistas que protestavam contra a reforma e tentavam impedir o ingresso de parlamentares e funcionários nas dependências da Câmara. Durante todo o dia de ontem, o tumulto tomou conta do Congresso e funcionários da própria Câmara começaram a bradar contra os deputados governistas.


