O Grupo Águia, de operações especiais da PM, prendeu ontem de manhã em Londrina o servidor municipal João Edson Danzinger, conhecido como ‘‘João Boquinha’’. Ele é acusado de participar do desvio de R$ 120 mil da Prefeitura de Londrina através de licitação fraudulenta na Autarquia do Meio Ambiente (AMA). O cheque foi depositado na conta da empresa fantasma Freitas & Dutra.
Danzinger estava foragido desde o dia 4 de dezembro, quando o juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau Araújo Ribas, acatou o pedido do MP e determinou sua prisão preventiva. Também foram decretadas as prisões do empresário Alberto Youssef (preso no mesmo dia e libertado por um habeas-corpus 18 dias depois), do cunhado do empresário, Eroni Miguel Peres, e do segurança de Youssef, Antonio Carlos Neri Romero. Estes continuam foragidos.
Segundo as investigações do MP e da Polícia Federal, Danzinger seria o principal ‘‘laranja’’ de Youssef, dono de uma casa de câmbio e acusado de ser o responsável por 32 contas fantasmas no Banestado. Calcula-se que pelas contas passaram mais de R$ 150 milhões de maio de 98 a janeiro de 99. Danzinger seria proprietário das empresas JJ Representações Comerciais SC Ltda., e Danki Representações Comerciais, que enviaram para exterior mais de R$ 6,5 milhões através de contas CC-5.
Em uma das celas da 10ª Subdivisão da Polícia de Londrina, para onde foi levado, Danzinger negou qualquer envolvimento no esquema de lavagem de dinheiro. ‘‘Eu não tenho nada a ver com isso aí. O Ministério Público está fazendo sensacionalismo em cima disso. Fui chamado para depor duas vezes aos promotores e quatro à Polícia Federal e nunca me neguei a dar depoimento. Se eles acham que eu devo alguma coisa, eu vou falar o que eu sei: nada’’, disse.
Danzinger disse que realizou negócios com Youssef somente no período que trabalhou como operador de câmbio na Aldri Câmbio e Turismo, em Londrina, em 92. ‘‘Conheci o Youssef na época que eu trabalhava com câmbio, fizemos negócios, mas depois disso não’’. O servidor afirmou que não conhece os demais réus da ação criminal, nem o paraguaio Juan Carlos Garcia Bobadilla, que teria ligação com o esquema através da empresa Proserv Assessoria Empresarial, de Londrina, cujos sócios são Eroni Miguel Peres e Paulo César Stinghen.
De acordo com um dos policiais responsáveis pela prisão, Danzinger foi localizado através de uma denúncia anônima na noite de sábado. ‘‘Nós recebemos a denúncia mas não podíamos prendê-lo à noite. Então fomos hoje (ontem) bem cedo ao endereço e o encontramos’’, relatou o policial.
Conforme o policial, João Boquinha Danzinger não ofereceu resistência, mas foi necessária a intervenção da mãe do servidor para que ele abrisse a porta do apartamento, localizado à Avenida das Américas, 290, Vale Cambezinho, zona sul de Londrina. ‘‘Nós batemos à porta, mas ele fez que não estava. Como sabíamos que a mãe dele mora no andar de cima, fomos até lá e pedimos para ela falar com ele, senão teríamos que estourar a porta’’, disse o policial.
Danzinger negou que estivesse foragido da Polícia e que somente não o encontraram antes porque, nas ocasiões, ele não estava em casa. No final da manhã de ontem, João Boquinha foi transferido para o 2º DP, por ordem do delegado-chefe interino, João Eduardo Carula.

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