Ivana Moreira - Agência Estado
De Belo Horizonte
O Comando da Polícia Militar de Minas Gerais prepara um ‘‘teatro de operações’’ na região da Hidrelétrica Furnas para ser apresentado ao governador Itamar Franco (PMDB) na terça-feira. A presença do governador em Capitólio, cidade onde está o comando das manobras militares, ainda não havia sido confirmada até o fim da tarde de ontem. Mas, se ele aparecer, assistirá à explosão de uma casa às margens do dique que retém as águas da represa de Furnas.
Nos discursos contra a privatização da empresa, Itamar ameaçou romper o dique na barragem de Furnas, permitindo a passagem das águas do Rio Grande para o São Francisco. A redução do volume da represa prejudicaria a produção da hidrelétrica.
Cerca de 2,5 mil homens participam hoje das manobras militares que fazem parte da estratégia de Itamar na luta contra a privatização da hidrelétrica. A operação custará aos cofres do Estado cerca de R$ 450 mil. A medida imposta pelo governador provocou críticas por parte de oficiais, que o acusaram de fazer uso político da PM.
Ontem, o deputado federal Júlio Morais (MG-PL) discutiu a operação com o governador mineiro. Líder da greve dos PMs mineiros em 1997, ‘‘Cabo Júlio’’ – como é conhecido o deputado – afirmou que a realização de manobras é uma rotina anual da corporação.
Também ontem, o governador mineiro suspendeu de seus cargos imediatamente os representantes de empresas estrangeiras que tinham funções de direção na Companhia de Energia de Minas Gerais (Cemig). Foram demitidos os representantes das companhias americanas Southern Electric, AES e Opportunity, David Travesso (presidente) e os diretores Flávio Antonio Neiva e Luis Antonio de Souza Batista, todos eles funcionários brasileiros do consórcio americano. As três firmas unidas em consórcio compraram em 1997 32,9% da Cemig durante o anterior governo estatal, presidido por Eduardo Azeredo.

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