A Praça Tancredo Neves, situada entre a Assembléia Legislativa e o Palácio Santa Catarina, sede do governo catarinense, foi ocupada ontem por quase oito mil pessoas. Enquanto mais de sete mil trazidas do Interior pelo PMDB e assessores do governo manifestavam-se a favor de Paulo Afonso, outros 500 estudantes e sindicalistas pediam o impeachment do governador. Quando os alto-falantes anunciaram a vitória parcial de Paulo Afonso no Supremo Tribunal Federal (STF), os manisfestantes governistas avançaram sobre os defensores do impeachment, mas foram contidos pela Polícia Militar e não houve feridos.
Desde as primeiras horas da manhã, centenas de ônibus despejavam manifestantes pró-governo na praça. A Polícia Militar espalhou dois mil soldados para proteger o prédio da Assembléia e evitar qualquer conflito. Segundo o coronel Enéas, comandante do policiamento, uma área de 20 mil metros quadrados em torno da Assembléia foi cercada por um cordão de isolamento. Só entrava no prédio quem tivesse uma credencial especial e comprovasse sua identidade. Ainda antes de receber seu crachá, o visitante era submetido a uma revista com a ajuda de um detector de metais.
No meio da praça, um caminhão de som animava os manifestantes governistas e servia de palanque para vários oradores defenderem Paulo Afonso e o seu vice, José Augusto Hulse. Até mesmo a mulher do governador, Elianne Peressoni Vieira, e os filhos mais velhos, Carolina (13) e Eduardo (10), subiram no carro de som. Elianne fez um rápido discurso, dizendo esperar por justiça. ‘‘Hoje vai acabar toda essa novela de impeachment, porque acredito na consciência dos nossos deputados’’, afirmou a primeira-dama antes de a Assembléia decidir pela abertura do processo. A menina Carolina agradeceu o apoio ao pai: ‘‘Foi muito bom vocês terem vindo, obrigado’’, disse a garota.
Paulo Afonso permaneceu na sua residência, no Palácio da Agronômica, até as 10 horas. Com a agenda suspensa, ele chegou ao palácio do governo e passou a receber deputados e políticos do partido. Estiveram no seu gabinete o ex-ministro dos Transportes o deputado Odacir Klein, o prefeito de Joinville, Luiz Henrique da Silveira, e o senador Casildo Maldaner, todos do PMDB.
‘‘Se houvesse algum indício de desonestidade, não haveria essa mobilização’’, disse Luiz Henrique. O senador e o ex-ministro, cogitando a possibilidade do impeachment, advertiam para a reação da bancada do PMDB no Congresso contra o governo Fernando Henrique e o PFL.

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