Agência Estado
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Aqui, nãoManifestantes tentam entrar no Congresso mas são barrados pela Cavalaria da PM: invasão frustradaO cerco ao Congresso feito pela Polícia Militar deu resultados. Desta vez, ao contrário do que ocorrera na semana passada, os manifestantes contrários à reforma da Previdência foram barrados do lado de fora. Houve outra tentativa de invasão do prédio da Câmara, mas a ação da cavalaria da PM conteve os mais exaltados.
Ocorreram também empurrões e ameaças entre policiais e sindicalistas. Por volta das 18 horas, ânimos serenados, os manifestantes contentaram-se com um ato público de repúdio às reformas.
Desde segunda-feira, aposentados e sindicalistas do serviço público de todo o País estão acampados em frente da Catedral de Brasília, a cerca de 1 quilômetro do Congresso. Eles fizeram passeata anteontem. Ontem de manhã, desceram pela Esplanada dos Ministérios e deram um abraço no prédio do Ministério da Previdência Social. Depois do almoço, saíram de novo pela Esplanada, até ocupar o gramado em frente do Congresso.
A Polícia Militar fez a segurança dos prédios públicos, do Congresso, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF), com cerca de 1,45 mil homens. Os 250 policiais da Tropa de Choque portavam armas de grosso calibre: escopetas e fuzis, granadas de gás lacrimogêneo e cassetetes elétricos. Cada um tinha um cão. Os militares foram reforçados por 280 seguranças da Câmara e 180 do Senado.
Manifestantes de duas categorias quase provocaram choques com os policiais. Primeiro, os integrantes do PSTU, partido de orientação trotkista, que sempre pregou o confronto; segundo, os aposentados e sindicalistas que abusaram da bebida alcoólica desde a manhã. Alguns estavam embriagados mesmo. Foi necessária até uma intervenção do presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho. ‘‘Companheiros, vamos moderar na birita’’, pediu o presidente da CUT, ainda de manhã.
Nem todos seguiram os conselhos de Vicentinho. À tarde, de frente ao Congresso, havia homens e mulheres cambaleando. Sobraram ataques até para os deputados de oposição. Ao pedir calma, o deputado Paulo Bernardo (PT-PR) acabou ouvindo palavrões dos manifestantes e devolveu no mesmo tom. Para evitar confusão, saiu de perto.
Em manifestações como a de ontem, em que a orientação política se mistura ao álcool, ninguém escapa das críticas e de algum tipo de agressão. Enquanto o líder do PT, Marcelo Deda (SE), pedia que a Tropa de Choque da PM abdicasse do uso de armas pesadas, uma lata de cerveja voou sobre a cabeça dele e dos deputados Carlos Santana (PT-RJ), Miguel Rosseto (PT-RS) e Socorro Gomes (PC do B-PA). Todos ficaram com as roupas respingadas, exalando odor de cerveja velha. ‘‘Faço meu protesto debaixo de chuva’’, afirmou Deda. ‘‘Não é chuva não, deputado, é cerveja’’, gritou um curioso.
Cofre O governo abriu o cofre para resolver os problemas de sua base parlamentar, que ameaçava ontem negar voto à aprovação da reforma previdenciária, em primeiro turno. Operadas na residência do ministro Sérgio Motta, as negociações dos aliados com a tropa de choque do governo renderam a liberação de R$ 22 milhões, que serão garantidos por meio de emendas extra-orçamentárias para áreas de infra-estrutura e saneamento básico. A distribuição da verba será feita pela Secretaria Especial de Políticas Regonais, do ministro Fernando Catão.
As emendas extras atenderam à insatisfação de vários deputados da base governista com a distribuição ‘‘desigual’’ de cerca de R$ 120 milhões da verba do El Ni¤o. Na repartição dos recursos para regiões atingidas pelo El Ni¤o, aprovados pelo Congresso final do ano passado, um grupo de deputados foi privilegiado com somas maiores, entre eles o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), o líder do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA), e o senador Ney Suassuna (PMDB-PB). O fato transformou-se em moeda de troca para os deputados decontentes com o governo, que ameçavam votar contra a reforma. Ficou acertado que o ministério de Catão fará uma distribuição ‘‘justa’’ para recompor a base.

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