PM apreende propaganda de Vanhoni
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quinta-feira, 19 de outubro de 2000
Valmir Denardin De Curitiba 
Quatro policiais militares entraram, anteontem pela manhã, no prédio do Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, para apreender material de propaganda do candidato a prefeito Ângelo Vanhoni (PT), que estava sendo utilizado em uma reunião entre alunos e professores simpatizantes do petista. A reitoria da universidade não foi comunicada da ação.
Acompanhados de um oficial de Justiça, os PMs cumpriam um mandado de busca e apreensão do material, expedido pelo juiz eleitoral Joatan Marcos de Carvalho. O juiz acatou representação dos assessores jurídicos do prefeito Cassio Taniguchi (PFL), candidato à reeleição, argumentando que propaganda eleitoral não pode ser armazenada em prédio público.
Segundo a assessoria jurídica de Vanhoni e participantes da reunião ouvidos pela Folha, na sala onde o grupo estava não havia armazenamento de material. Havia apenas uma pequena quantidade de panfletos e adesivos do candidato, que estaria em poder dos participantes. Os policiais teriam ameaçado o grupo de prisão, em caso de resistência. A própria assessoria de imprensa do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) confirmou ontem que a quantidade de material apreendido foi pequena.
Em nota oficial e entrevista à Folha, o reitor da UFPR, Carlos Roberto Antunes, criticou a entrada da PM na universidade, principalmente pelo fato de a reitoria não ter sido comunicada. Ele afirmou que a falta de comunicação fere a autonomia universitária. Teríamos que ter sido os primeiros a saber, declarou.
Antunes disse também que uma universidade precisa assegurar a prática democrática e a discussão política. Por isso, segundo ele, a UFPR promoveu debate entre os candidatos a prefeito no primeiro turno do qual apenas Cassio não participou e pretende realizar um novo confronto no segundo turno. Ontem, o reitor enviou ofício ao TRE e à PM cobrando esclarecimentos sobre a apreensão.
Na opinião do professor Ricardo Costa Oliveira, doutor em ciências políticas e professor da universidade, a atitude da PM foi tirânica e despótica. Foi um desrespeito aos direitos de reunião, liberdade e expressão política do cidadão, afirmou Oliveira, que não participava da reunião. Ele disse que o argumento dos advogados de Cassio não se justifica. A Câmara de Vereadores também é um prédio público e por lá circula propaganda política, comparou.
A assessoria de imprensa da UFPR informou que partidários dos dois candidatos costumam entregar material no câmpus da instituição. Na manhã do incidente, cabos eleitorais de Cassio e Vanhoni teriam chegado a montar barraquinhas no saguão do Centro Politécnico. O material foi retirado do local a pedido da administração.
A assessoria de imprensa de Cassio não quis comentar o incidente ontem à tarde. Só confirmou que o pedido de apreensão foi feito à Justiça Eleitoral por seus advogados.


