Quatro policiais militares entraram, anteontem pela manhã, no prédio do Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, para apreender material de propaganda do candidato a prefeito Ângelo Vanhoni (PT), que estava sendo utilizado em uma reunião entre alunos e professores simpatizantes do petista. A reitoria da universidade não foi comunicada da ação.
Acompanhados de um oficial de Justiça, os PMs cumpriam um mandado de busca e apreensão do material, expedido pelo juiz eleitoral Joatan Marcos de Carvalho. O juiz acatou representação dos assessores jurídicos do prefeito Cassio Taniguchi (PFL), candidato à reeleição, argumentando que propaganda eleitoral não pode ser armazenada em prédio público.
Segundo a assessoria jurídica de Vanhoni e participantes da reunião ouvidos pela Folha, na sala onde o grupo estava não havia armazenamento de material. Havia apenas uma pequena quantidade de panfletos e adesivos do candidato, que estaria em poder dos participantes. Os policiais teriam ameaçado o grupo de prisão, em caso de resistência. A própria assessoria de imprensa do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) confirmou ontem que a quantidade de material apreendido foi ‘‘pequena’’.
Em nota oficial e entrevista à Folha, o reitor da UFPR, Carlos Roberto Antunes, criticou a entrada da PM na universidade, principalmente pelo fato de a reitoria não ter sido comunicada. Ele afirmou que a falta de comunicação fere a autonomia universitária. ‘‘Teríamos que ter sido os primeiros a saber’’, declarou.
Antunes disse também que uma universidade precisa ‘‘assegurar a prática democrática e a discussão política’’. Por isso, segundo ele, a UFPR promoveu debate entre os candidatos a prefeito no primeiro turno – do qual apenas Cassio não participou – e pretende realizar um novo confronto no segundo turno. Ontem, o reitor enviou ofício ao TRE e à PM cobrando esclarecimentos sobre a apreensão.
Na opinião do professor Ricardo Costa Oliveira, doutor em ciências políticas e professor da universidade, a atitude da PM foi ‘‘tirânica e despótica’’. ‘‘Foi um desrespeito aos direitos de reunião, liberdade e expressão política do cidadão’’, afirmou Oliveira, que não participava da reunião. Ele disse que o argumento dos advogados de Cassio não se justifica. ‘‘A Câmara de Vereadores também é um prédio público e por lá circula propaganda política’’, comparou.
A assessoria de imprensa da UFPR informou que partidários dos dois candidatos costumam entregar material no câmpus da instituição. Na manhã do incidente, cabos eleitorais de Cassio e Vanhoni teriam chegado a montar barraquinhas no saguão do Centro Politécnico. O material foi retirado do local a pedido da administração.
A assessoria de imprensa de Cassio não quis comentar o incidente ontem à tarde. Só confirmou que o pedido de apreensão foi feito à Justiça Eleitoral por seus advogados.