Plínio critica Sarney e diz que Senado não serve para nada
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Wilson Tosta e Luciana Nunes Leal<BR> Agência Estado 
Rio - O candidato do PSOL à Presidência, Plínio Arruda Sampaio, causou constrangimento ontem ao criticar o senador e acadêmico José Sarney (PMDB-AP) na própria Academia Brasileira de Letras (ABL) e afirmar, na presença da também senadora e presidenciável Marina Silva (PV), que os senadores não têm utilidade. ''Desemprega ela (sic)'', pediu ele, em tom irônico, em entrevista posterior ao discurso, referindo-se à adversária. No Fórum Especial promovido pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (INAE) - esvaziado pelas ausências dos líderes da corrida presidencial, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) - Plínio causou risadas e aplausos, mas manteve o discurso de crítica à desigualdade social existente no Brasil, pedindo mudanças e reformas.
''Com todo o respeito aos senadores, não servem para nada. A não ser manter as oligarquias, tipo Sarney. Não sei quem apoia o Sarney aqui, mas em todo caso...'', disse ele, a poucos metros do presidente da ABL, Marcos Villaça, amigo do senador pelo Amapá, e da própria Marina. O encontro ocorria no auditório da Academia. Ninguém respondeu. Mais tarde, na saída, Plínio voltou às críticas. ''Não precisa o Senado. O Senado é uma coisa artificial. Este País nunca foi uma federação, este País sempre foi unitário. Isto é uma cópia dos Estados Unidos. Lá funciona, aqui não funciona. Aqui é um valhacouto de caciques políticos.''
Marina, que falou antes de Plínio, falou da possibilidade de um ''Armagedon ambiental'' - a elevação da temperatura da Terra em dois graus, o que inviabilizaria e vida - e denunciou que seu projeto de lei de acesso aos recursos da biodiversidade, apresentado em 1995, ainda não foi aprovado.
''Pude ver que as sementes das nossas seringueiras foram levadas para a Malásia'', contou, recordando sua juventude. ''Eu mesmo as juntei na floresta, e os patrões compravam em troca de rapadura e latas de leite Moça. E eu perguntava para o meu pai: 'Para que eles querem essas sementes, papai?' E ele dizia: 'Talvez seja para fazer sabão'. Quando entrei para a universidade, descobri que não era para fazer sabão. Era para alimentar o banco de germoplasma (unidades conservadoras de material genético de uso imediato ou com potencial de uso futuro) da Malásia. E com isso perdíamos a proatividade econômica e a vantagem comercial que tínhamos em relação a uma espécie da nossa biodiversidade.''
Representante de Dilma, o candidato a vice, Michel Temer, fez uma análise das Constituições brasileiras. Já Serra, chamado como os outros três candidatos, não foi, nem mandou representante.


