Plenário decide futuro de Rodrigo Gouvêa no dia 3
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terça-feira, 27 de abril de 2010
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
O futuro de Rodrigo Gouvêa (sem partido) como vereador em Londrina será definido pelos seus pares na manhã da próxima segunda-feira, quando será votado o parecer final da Comissão Processante (CP) instaurada na Câmara Municipal de Londrina. A comissão apurou denúncia de que Gouvêa manteria uma assessora fantasma. O relatório final entregue ontem aos vereadores está marcado por divergências entre os membros da CP: Roberto Fu (PDT) não assinou o documento relatado pelo colega Tito Valle (PMDB), que julgou improcedente a representação apresentada pela Corregedoria com base em ação criminal que corre na Justiça.
Se os vereadores aprovarem o relatório final daqui a cinco dias, Gouvêa continua no cargo. No caso de o documento ser reprovado pela maioria simples da Casa (10 votos), ele terá o mandato cassado. O vereador alvo da comissão não se pronunciou ontem.
Única voz dissonante no parecer final, Fu alegou que não assinou o documento ''porque ficaram alguns pontos obscuros''. O vereador revelou que teve negado pedido de perícia (exame grafotécnico) em alguns documentos que teriam sido preenchidos pela suposta assessora fantasma Maria Aparecida Vieira. O pedido teria sido feito 26 dias antes da conclusão dos trabalhos. ''Eram pedidos, requerimentos, pesquisas que fazia na comunidade, que tinham letras diferentes. Foi alegado que tinham sido preenchidos pela mesma pessoa e tinham letras completamente diferentes.'' Segundo Fu, antes do pedido de perícia, questionou Maria Aparecida sobre a incompatibilidade na caligrafia: ''cheguei a questionar se ela trabalhava sozinha na comunidade e quem preenchia as folhas e ela disse que só ela preenchia e eu questionei a diferença nas letras. Ela disse que todas as letras eram delas.''
O relator do parecer alegou que o pedido de Fu teria sido indeferido pelo então presidente da comissão à época, o vereador Amauri Cardoso (suplente de Roberto Kanashiro), porque já havia sido encerrada a instrução processual. ''Precisaria haver um argumento muito forte para o pedido ser acolhido'', arguiu Valle, admitindo que não teria participado da sessão em que a suspeição sobre as letras foi levantada. Mesmo assim, o vereador afirmou que o seu parecer traduziria as provas colhidas e os depoimentos das testemunhas, ''que não provaram a denúncia''. ''Numa conclusão da comissão, optamos pela não comprovação daquilo que havia sido elencado na denúncia, solicitamos a improcedência deste processo e pedimos o encaminhamento para a Comissão de Ética (que poderia reavaliar a conduta do vereador).''
Valle também rebateu as desconfianças de que o relatório poderia cair no descrédito pelo fato de tanto ele quanto a presidente da Comissão, vereadora Sandra Graça, serem alvos de investigações do Ministério Público. Sandra, aliás, é alvo de ação por ato de improbidade administrativa por supostamente também manter funcionário fantasma durante a legislatura anterior. Valle é investigado por suspeita de ''rachar'' salário com assessor. ''Na qualidade de investigado, ninguém pode ser condenado de nada. Fiquei sabendo da investigação na sexta-feira, quando o relatório já estava praticamente pronto'', comentou o relator da CP.


