Plenário da Câmara absolve João Paulo Cunha
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de abril de 2006
Das agências 
São Paulo - O plenário da Câmara dos Deputados rejeitou o pedido de cassação do mandato do ex-presidente da Casa João Paulo Cunha (PT-SP). O relatório de Cezar Schirmer (PMDB-RS), que recomendava a cassação, foi rejeitado com 256 votos contrários, 209 favoráveis, 7 em branco, 2 nulos e 9 abstenções.
A absolvição de Cunha, no entanto, já era esperada dentro da Câmara. O arquivamento do processo contra Pedro Henry (PP-MT) e a cassação de Pedro Corrêa (PP-PE) com apenas quatro votos além do mínimo necessário sinalizaram uma tendência do plenário de perdoar os parlamentares envolvidos com o ''mensalão''.
Dos parlamentares acusados de envolvimento no ''valerioduto'', apenas três foram cassados e oito foram absolvidos. Outros quatro renunciaram e estão habilitados a concorrer nas próximas eleições.
Cunha foi acusado de receber recursos do esquema do ''valerioduto''. Contra Cunha pesa o fato de sua mulher, Márcia Regina Cunha, ter sacado da agência do banco Rural em Brasília R$ 50 mil, da conta do empresário Marcos Valério. Em sua defesa, Cunha inicialmente disse que a mulher havia ido à agência pagar uma conta de TV a cabo. Depois, ele mudou a versão e disse que o dinheiro foi usado para ajudar na campanha do PT em Osasco, no ano passado.
O deputado João Paulo Cunha usou parte do tempo dedicado à defesa para atacar os meios de comunicação, os quais acusou de manipular a opinião pública. ''Muitas vezes, o jornal levanta uma tese, sustenta essa tese e depois transforma essa tese como se fosse opinião pública e pede no seu editorial o cumprimento daquela tese que é dele'', disse.
A tática de atacar a opinião pública e os meios de comunicação foi usada por todos os parlamentares que responderam a processo de perda de mandato por envolvimento com o ''mensalão'', depois que o deputado Roberto Brant (PFL-MG) a adotou e saiu-se vitorioso. Como Brant o qual citou no discurso , João Paulo procurou fazer com que os deputados se sentissem feridos pelas críticas feitas pelos veículos de comunicação às seguidas absolvições dos envolvidos com o ''mensalão''.
Para ele, a imprensa pode muito, mas não pode tudo. ''A imprensa precisa entender que a opinião pública não é a opinião dos jornais. Se descuidarmos e levarmos isso até as últimas consequências, daqui a uns dias, o povo não elege mais. Quem vai eleger é a opinião pública, os jornais. Mas e o povo?'' perguntou.
João Paulo comparou os meios de comunicação da época do Brasil-Colônia, do Império, da Velha República e os de agora. Disse que, antigamente, havia os jornais pró-Brasil e pró-Portugal, os a favor e os contrários à monarquia, os que faziam campanha para um candidato a presidente e os que faziam para outro. Hoje, segundo o deputado do PT de São Paulo, isso não acontece.
''Hoje, o método é grave porque se faz opção política pelo editorial e pelas matérias, mas não se assume. Faz-se opção por determinada política e não se mostra. É ruim isso. Diferentemente, insisto, de outros países, em que a imprensa atua claramente, o editorial é de determinada linha, os temas são enfrentados em diversas linhas'', afirmou.


