Famílias e jovens eram maioria na manifestação em Londrina. A estudante Gabriela Galvani, 17 anos, traduzia o desejo de grande parte dos que foram às ruas para que a presidente Dilma Rousseff (PT) fosse retirada da Presidência. "Quero o impeachment porque a educação está péssima, tudo está péssimo no País. Estamos sofrendo com isso, com greve da UEL, e tudo está ligado ao PT", disse, apesar de a Universidade Estadual de Londrina contar com financiamento do governo paranaense.
O bancário aposentado José Carlos Viana Santos protestou com a mulher, a dona de casa Oneide Batista Viana, e com a filha arquiteta Camila Batista Viana Santos. Ele afirmou que o ideal seria que a presidente renunciasse porque o País precisa de mudança, mas com respeito à democracia. "Nos últimos 12, 14 anos, as coisas estão desenfreadas e precisamos de uma solução. No Brasil, é sempre assim e de tempos em tempos temos de pedir para mudar."
A costureira Débora Miriam Tarantini foi à Higienópolis com o filho de 12 anos, com um cartaz que pedia a saída de Dilma e do governador Beto Richa (PSDB). "Meu carro ficou mais velho, mas o Richa subiu o imposto subiu 40% e terei de pagar R$ 100 a mais. Com a Dilma, temos um péssimo governo, roubalheira, essa corja no Congresso."
Já a dona de casa Renata de Lara Leitão Itimura carregava um cartaz para pedir a reforma política. Ela afirmava que a saída de Dilma apenas mudaria o comando de mãos, com os mesmos problemas. "Não quero impeachment, porque não quero outro governo que cometa os mesmos erros que esse. Quero a reforma política, com novas leis que vão ajudar os políticos que se elegem a não serem tão corruptos, porque, como recebem muitas doações para chegar lá, depois têm de pagar por isso tudo."
Havia ainda os que pediam a intervenção militar. Professor de educação física da rede municipal, João Cesar Rossini produziu uma faixa com o pedido, para restabelecimento da ordem. "Era a favor do impeachment, mas comecei a perceber que não adiantaria porque tiraria só uma maçã podre e precisamos tirar todas. Nada vai funcionar se não tiver uma intervenção das Forças Armadas, que não tem nada a ver com golpe, não tem a ver com ditadura, é simplesmente intervenção, como permite a Constituição", disse. Ele afirmou que não sofreu durante o período de ditadura porque apenas comunistas eram perseguidos.
Um caminhoneiro, que afirmou não ser representante oficial da categoria porque qualquer pessoa que se apresente como líder pode ser multada pelo governo, discursou no caminhão dos organizadores e afirmou que nova paralisação em estradas deve ocorrer a partir do dia 30. Desta vez, disse, o movimento será mais forte e a greve dos motoristas, irrestrita. Ele não se identificou. (F.G.)

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