Plebiscito surpreende CNBB
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segunda-feira, 04 de setembro de 2000
Agência Folha De Brasília 
A participação popular no plebiscito sobre as dívidas externa e interna do País surpreendeu a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)), de acordo com avaliação feita ontem pela própria entidade. A quantidade de pessoas que votaram no final de semana ultrapassou todas as nossas expectativas, disse o padre Alfredo José Gonçalves, da Pastoral Social da entidade e um dos coordenadores do movimento.
A CNBB ainda não dispõe, entretanto, de números nacionais da consulta, que começou no último sábado e termina em 7 de Setembro. A secretaria do plebiscito no Distrito Federal informou que foram recolhidos cerca de 11 mil votos até ontem, às 12 horas, em Brasília e no chamado Entorno (cidades goianas próximas a Brasília). A meta é recolher 100 mil votos no Distrito Federal.
Nas missas celebradas ontem, os fiéis foram convidados a votar, de acordo com Gonçalves. Ele disse que a maioria das urnas foi cedida pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que está ajudando muito o plebiscito. Segundo ele, as votações estão sendo realizadas em três mil municípios de todos os Estados brasileiros.
O padre disse que em alguns municípios foram realizados arrastões. Grupos de voluntários visitaram feiras, shoppings e praias chamando as pessoas para votar. O plebiscito tem o objetivo de pressionar o Congresso a fazer uma auditoria na dívida externa.
Os empréstimos concedidos por instituições financeiras internacionais, como os Bancos Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Mundial (Bird), para projetos nas áreas social e de infra-estrutura no País correspondem a US$ 16,5 bilhões. Esse montante significa 18% do total da dívida externa do setor público brasileiro, que atinge US$ 92,2 bilhões, de acordo com cálculos da Secretaria do Tesouro Nacional. Um calote na dívida significaria cortar uma fonte de crédito para programas que estão em andamento em todo o País.
O secretário-adjunto do Tesouro, Rubem Sardenberg, explicou que os projetos do governo federal financiados por essas instituições respondem por US$ 8,7 bilhões da dívida. O restante foi contraído por Estados, municípios e empresas estatais. Se pararmos de pagar os credores internacionais teremos tantos problemas, alertou.


