A participação popular no plebiscito sobre as dívidas externa e interna do País surpreendeu a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)), de acordo com avaliação feita ontem pela própria entidade. ‘‘A quantidade de pessoas que votaram no final de semana ultrapassou todas as nossas expectativas’’, disse o padre Alfredo José Gonçalves, da Pastoral Social da entidade e um dos coordenadores do movimento.
A CNBB ainda não dispõe, entretanto, de números nacionais da consulta, que começou no último sábado e termina em 7 de Setembro. A secretaria do plebiscito no Distrito Federal informou que foram recolhidos cerca de 11 mil votos até ontem, às 12 horas, em Brasília e no chamado Entorno (cidades goianas próximas a Brasília). A meta é recolher 100 mil votos no Distrito Federal.
Nas missas celebradas ontem, os fiéis foram convidados a votar, de acordo com Gonçalves. Ele disse que a maioria das urnas foi cedida pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ‘‘que está ajudando muito’’ o plebiscito. Segundo ele, as votações estão sendo realizadas em três mil municípios de todos os Estados brasileiros.
O padre disse que em alguns municípios foram realizados ‘‘arrastões’’. Grupos de voluntários visitaram feiras, shoppings e praias chamando as pessoas para votar. O plebiscito tem o objetivo de pressionar o Congresso a fazer uma auditoria na dívida externa.
Os empréstimos concedidos por instituições financeiras internacionais, como os Bancos Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Mundial (Bird), para projetos nas áreas social e de infra-estrutura no País correspondem a US$ 16,5 bilhões. Esse montante significa 18% do total da dívida externa do setor público brasileiro, que atinge US$ 92,2 bilhões, de acordo com cálculos da Secretaria do Tesouro Nacional. Um calote na dívida significaria cortar uma fonte de crédito para programas que estão em andamento em todo o País.
O secretário-adjunto do Tesouro, Rubem Sardenberg, explicou que os projetos do governo federal financiados por essas instituições respondem por US$ 8,7 bilhões da dívida. O restante foi contraído por Estados, municípios e empresas estatais. ‘‘Se pararmos de pagar os credores internacionais teremos tantos problemas’’, alertou.

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