Plebiscito decide hoje futuro da Celular
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sábado, 18 de agosto de 2001
Lúcio Horta<BR>De Londrina 
O futuro da Sercomtel Celular, empresa de telefonia móvel do Grupo Sercomtel Telecomunicações S.A., será decidido hoje pelos londrinenses. O plebiscito, primeiro do gênero no País, irá apontar se o município poderá ou não vender a estatal. A proposta de privatização é defendida pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), que espera aplicar os recursos gerados em obras de infra-estrutura. Todos os quase 300 mil eleitores de Londrina estão aptos para votar. A expectiva da Justiça Eleitoral é que até às 18h30 o resultado da consulta já esteja apurado.
A última semana foi de expectativa e organização. As 460 urnas eletrônicas que serão utilizadas no pleito foram lacradas na última quinta-feira e hoje estarão distribuídas em 129 locais de votação os mesmos da eleição do ano passado. No total, 1,6 mil servidores públicos municipais estarão trabalhando. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) também escalou 12 técnicos em informática para ajudar na votação e apuração. Roberto Pacheco Rocha, presidente do TRE, e o secretário de Informática do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Paulo César Camarão, estarão hoje em Londrina acompanhando os trabalhos.
Para votar na urna eletrônica, o eleitor terá duas opções: o ''55'', que autoriza a venda da Celular; e o ''88'', que proíbe. O horário da eleição será das 8 às 17 horas como num pleito oficial. Os locais de votação também serão os mesmos, embora algumas seções tenham sido agrupadas. É o caso das seções instaladas nas agências dos bancos Banespa, Finasa, Bradesco e Itaú, todas no centro da cidade, que hoje excepcionalmente estarão concentradas na agência do Banco do Brasil, no Calçadão da Avenida Paraná.
O debate em torno da privatização ou não da Celular acirrou os ânimos e provocou até formação de comitês, a favor e contra. A administração municipal alega que a abertura da concorrência, com a entrada no mercado de gigantes da telefonia, poderá em pouco tempo transformar a Celular num mico desvalorizado e sem comprador. Daí a pressa para vender. Já os partidários do Não asseguram que a empresa, apontada como uma das melhores do País, tem fôlego para enfrentar a concorrência. Basta ter vontade política.
Se a proposta for aprovada, a administração pretende vender a empresa diretamente para o grupo italiano Telecom Italia Móbile (TIM), que já manifestou interesse pelo negócio. O valor da empresa está estimado pela prefeitura em R$ 120 milhões. Do total arrecadado, no entanto, entrará nos cofres municipais o equivalente a 55% do valor, já que os 45% restantes pertencem a Companhia Paranaense de Energia (Copel).
A TIM já ganhou concessão para operar em Londrina e Tamarana, a partir de janeiro de 2002, na Banda D. Mas se comprar a Sercomtel Celular, que opera na Banda A, a empresa antecipou que devolve a concessão da Banda D para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Atualmente, segundo dados do município, a Sercomtel Celular dispõe de 60% do mercado de telefonia móvel de Londrina e Tamarana, com quase 56 mil assinantes. Por enquanto, a única concorrente é a Global Telecom, que abocanhou 40% do mercado.


