Plebiscito da Sercomtel divide vereadores
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006
Janaina Garcia e Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
Os vereadores de Londrina se mostram divididos quanto à revogação ou não do plebiscito sobre a venda da Sercomtel Celular. A discussão foi levantada no último dia 14 pelo prefeito Nedson Micheleti (PT). Em entrevista concedida à Folha, ele sugeriu que a Câmara revogasse o plebiscito realizado em 2001 em que a população votou contra a venda. O prefeito alega dificuldades de manter a empresa frente à concorrência no mercado.
Se depender do presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), em breve a Casa deve adotar uma postura sobre o assunto, nem que para isso se baseie essencialmente nos balancetes apresentados pela empresa. Na primeira sessão do ano, ontem à tarde, Bonilha afirmou que vai se empenhar em discutir o assunto com os colegas de Plenário sempre que os vir, ''todos os dias''.
Favorável à venda da telefônica desde a consulta popular, em 2001, Bonilha acredita que os demais vereadores ''têm consciência de que a Celular passa por dificuldades''. ''Eu mesmo fui às ruas pedir votos pelo Sim (à venda), no plebiscito, e senti que muita gente que votou pelo Não estava sem conhecimento de causa'', disse, para completar: ''Creio que nós mesmos tínhamos que ter tido a responsabilidade de revogar o plebiscito, mas fazendo isso agora, o prefeito vai ter a chance de se sentir mais livre para consultar o mercado''.
Depois de Bonilha afirmar categórica e insistentemente que a Celular está praticamente inviável, a reportagem perguntou ao vereador qual a análise técnica que ele próprio teria para se posicionar sobre o assunto. ''É só ver no mercado: a empresa tinha mais de 70% da fatia em Londrina, hoje tem menos, mesmo com investimento em tecnologia de ponta'', citou.
Segundo uma sondagem (ver info) feita ontem pela Folha, o posicionamento de Bonilha é compartilhado por mais cinco vereadores. Renato Araújo (PP), chegou a admitir a possibilidade de propor o projeto de revogação da consulta popular. ''Se ninguém propor, vou propor. A Sercomtel está perdendo mercado e não é por não haver o plebiscito que o prefeito poderá vender. Depende de autorização da Câmara. Perdemos muito porque a Sercomtel não está tendo competitividade. Se não vender agora, ninguém mais vai ter interesse'', defendeu.
Resistência - A derrubada do plebiscito deve encontrar resistência de pelo menos três vereadores. Tercílio Turini (PPS), autor do projeto que condiciona a negociação da telefônica à consulta popular, contestou que o prejuízo verificado pela Celular em 2005, R$ 4,5 milhões, possa motivar a venda da empresa.
''É o primeiro ano que a Sercomtel Celular dá prejuízo, vinha sempre dando lucro, cobrindo o rombo da Fixa e coligadas. Em 2003, a Fixa teve um prejuízo de R$ 1,9 milhão, enquanto a Celular apresentou um lucro de R$ 4,7 milhões. Em 2004, a Fixa fechou com R$ 516 mil de prejuízo e a Celular com R$ 3 milhões de lucro'', disse Turini. ''É uma questão técnica. Não podemos achar que só porque está dando prejuízo, que está condenada. É muito cedo para falar em vender a Sercomtel, não temos elementos para dizer que temos que desfazer de um patrimônio como esse. O telefone celular está em franca expansão ainda.''
Sem opinião - Outros sete vereadores afirmaram ainda não ter opinião sobre o assunto. ''Li no jornal apenas sobre isso. Até agora, o prefeito não conversou com os vereadores. Tenho que analisar o que aconteceu. Uma telefônica que tem 45% do mercado não deve estar não ruim, mas tenho que ver os pareceres técnicos'', disse.
Na avaliação de Roberto Kanashiro (PSDB) e Marcelo Belinati (PP), um novo plebiscito deveria ser convocado para que a população pudesse opinar. ''O povo já tomou a decisão dele no plebiscito e para revogar isso, não deve ser a Câmara nem o prefeito. A prerrogativa é do povo. Deve ter um novo plebiscito'', defendeu.
Presente ontem à Câmara, o secretário municipal de Governo, Adalberto Pereira, informou que o Executivo não vai tentar convencer os vereadores da revogação. ''Isso fica a critério deles'', resumiu.®MDSD¯


