Se por um lado a cassação do prefeito José Ritti Filho (sem partido) expôs Santo Antônio da Platina nas páginas do noticiário estadual e nacional como suposto foco de corrupção, por outro, a medida adotada na Câmara de Vereadores parece ter trazido uma espécie de alívio à população.
A constatação pôde ser feita nas ruas da região central do município, na conversa com moradores de Santo Antônio pertencentes a diferentes camadas sociais. Do advogado à desempregada, da dona-de-casa ao taxista, as opiniões pouco divergiram: a mudança de comando na prefeitura tem, sobretudo, um aspecto positivo.
Para a caixa Paula Juliana da Silva, 24, por exemplo, a esperança é que o novo prefeito ''ao menos pague os salários em dia''. ''Aqui na loja onde trabalho, para você ter uma idéia, muitos clientes que são servidores municipais estão inadimplentes porque estão recebendo com atraso. Sem falar na sujeira das ruas, nos buracos... era necessário ter mudanças, a cidade precisava melhorar'', avaliou.
Opinião parecida é a do taxista José Naide, de 56 anos. ''A saída (de Ritti Filho) foi ótima. A cidade está largada, abandonada, cheia de buracos. Mas sei que o outro prefeito pode não resolver tudo, pois tem pouco tempo'', disse. A dona-de-casa Kátia Regina Lima, 40, foi sucinta: ''Estava na hora de tomarem providências. O Norte Velho já é esquecido, mas pelo menos um pouco de Justiça está sendo feita''.
Já a desempregada Beatriz da Silva, 23, pediu que a mudança no Executivo sirva ao menos para coletar o lixo no bairro ondemora, o Jardim Santo André. ''Faz dez dias que não recolhem o lixo. Agora, as ruas estão ao menos sendo pintadas. Tenho esperança''. Motorista de trasporte escolar, Onéssimo Rodrigues da Silva, 47, definiu a cassação como ''uma tentativa de melhora da cidade, que estava largada. A esperança é a última que morre, não é, não?''
Por sua vez, o pedreiro Ernesto Samuel da Silva, 44, disse que não tinha do que reclamar da antiga administração. Funcionário da prefeitura, garantiu que nunca teve atraso no salário. ''Não falo bem nem mal, mesmo porque lá no barracão onde trabalho, não tínhamos do que reclamar''.
O advogado Sebastião Américo Calheiros, 56, discorda do pedreiro. ''Foi bom haver a cassação, para a cidade, porque administrativamente ele deixou muito a desejar, ficou uma situação de precariedade. Além do mais, em termos de geração de empregos, perdemos o Cefet para Jacarezinho, e outras coisas mais que dependiam exclusivamenet de decisão política. Para nós, que não vivemos de política, essas são perdas irreparáveis.''
O advogado do ex-prefeito, César de Mello e Silva, minimizou as críticas. Para ele, só pesquisas qualitativas, com amostras por camada social e região, poderiam respaldar comentário do gênero. ''É subjetivo dizer que a cidade está abandonada; isso depende do segmento onde se colhe essa amostra de opinião. O prefeito Ritti é um homem popular, das camadas mais humildes'', justificou. Informado que os entrevistados são, em boa parte, desse estrato, resumiu: ''Não é o que a gente tem ouvido. Essa opinião colhida foi coincidência; há que se fazerem pesquisas qualitativas, com critérios científicos'', defendeu. (J.G.)

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