A Câmara de Vereadores decidiu ontem fazer novas audiências públicas para discutir os projetos do Plano Diretor Participativo do Município de Londrina (PDPML). A decisão foi criticada por representantes de entidades que participaram ontem da reunião realizada no legislativo municipal. Para o diretor da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Nivaldo Benvenho, a decisão é um ''retrocesso'', já que o projeto foi amplamente discutido com todas as esferas da sociedade, e a demora na aprovação dos projetos traz prejuízos para a cidade.
''Achamos isso um desrespeito com todo mundo que trabalhou nesse processo. Muitas das audiências (para decidir os projetos e diretrizes do PDPML) foram feitos aqui mesmo na Câmara. Por exemplo, usando o que disse na reunião o diretor da Sociedade Rural do Paraná (Gustavo Lopes), hoje (ontem) para discutir um assunto tão importante só reunimos nove dos vereadores no plenário. Então nunca vamos conseguir reunir toda a sociedade para discutir o Plano Diretor e a cidade perde com isso'', ressaltou.
Segundo Benvenho, no ano passado mais de 20 indústrias demonstraram interesse em se instalar na cidade, mas por falta da aprovação do projeto de zoneamento - um dos oito projetos do PDPML - não conseguiram a licença de instalação. ''Há uma insegurança jurídica pela falta da aprovação dos projetos. A cidade perde emprego, dinheiro e muitas outras coisas com essa demora.''
Já o presidente da Câmara Municipal, Gerson Araújo (PSDB), afirmou que é importante que essas audiências sejam feitas para que não haja dúvidas entre os vereadores na hora da votação das matérias. ''Essas novas audiências não têm o objetivo de refazer o trabalho que já foi feito, e muito bem feito, por sinal. Mas precisamos da opinião de todos antes de aprovar o novo Plano Diretor. Creio que nesse semestre alguns projetos sejam aprovados, mas até o final do ano estaremos com os trabalhos prontos'', salientou.
O PDPML tinha oito projetos originais, sendo que a matéria que previa a preservação do patrimônio cultural de Londrina já foi aprovado pelos parlamentares e espera sanção. Os demais projetos são: nova proposta para o perímetro urbano do município, zoneamento de uso e ocupação do solo urbano, parcelamento do solo urbano, sistema viário, código de obras e edificações, código de posturas e código ambiental. Os projetos tramitam na Câmara desde outubro de 2010. Por conta da decisão tomada hoje na Casa, dois dos projetos que estariam na pauta de hoje - código ambiental e parcelamento do solo - serão retirados e discutidos em outra oportunidade.
Participaram da reunião cerca de 65 pessoas entre sociedade civil organizada, vereadores e entidades de classe. A reunião durou cerca de três horas. O último Plano Diretor aprovado em Londrina foi em 1998.

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