Planalto usa tropa para evitar prefeitos
Planalto usa tropa para evitar prefeitos
Soldados confundem prefeitos com manifestantes de oposição e barram a entrada deles no Palácio do Planalto
Agência Folha
Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Alhos por bugalhosPrefeitos se concentram diante do Planalto e são contidos por policiais: confundidos com opositoresCerca de mil prefeitos e vereadores tentaram invadir ontem o Palácio do Planalto pela rampa e foram barrados por integrantes da tropa de choque da Polícia Militar do Distrito Federal, além de integrantes do Exército com fuzis e cães. Os manifestantes se organizaram em uma marcha para tentar pressionar o governo federal a renegociar as dívidas das prefeituras, de cerca de R$ 15 bilhões. Eles também reivindicam o aumento do repasse do FPM (Fundo de Participação dos Municípios).
Não houve confronto entre prefeitos e policiais. Os manifestantes recuaram diante da mobilização da tropa de choque e dos cães. Está parecendo que somos marginais. Temos de dar a resposta para eles nas urnas, disse o representante de Cajuru (SP), Benedito Marques do Souza Filho. Os policiais estavam à nossa disposição, mas não era para eles (os prefeitos). Era para os manifestantes (da marcha contra o desemprego), disse o coronel Giovani de Morais, chefe-adjunto da segurança do Palácio do Planalto.
Os 25 homens da tropa de choque estavam parados no estacionamento do palácio. Quando os prefeitos chegaram, foram os primeiros a se mobilizar. Foi uma surpresa desagradável, afirmou o coronel Giovani. Policiais com lança-bombas de efeito moral e de gás, lancha-chamas, cassetetes elétricos, escudos à prova de bala e fuzis formaram barreiras sucessivas na rampa do Planalto, impedindo a invasão. Dez minutos depois, às 15h45, chegou o reforço: nove policiais a cavalo, 30 policiais da rádio-patrulha, dez homens do Exército (com fuzis) e 25 seguranças à paisana também ocuparam a rampa.
Uma comissão de sete prefeitos foi recebida pelo presidente interino da República, Antonio Carlos Magalhães. Ele ouviu todas as reivindicações e afirmou que vai encaminhar os pedidos ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, que participou da audiência, disse que ACM se comprometeu a defender as posições das prefeituras no Senado.
Durante o dia, os prefeitos conseguiram ser recebidos em alguns ministérios, mas apenas por substitutos dos ministros. Um grupo foi ao Ministério da Fazenda e conversou com o ministro interino, Pedro Parente. Ele sugeriu a criação de uma comissão para discutir melhor os pontos de interesse dos municípios. Os prefeitos foram ouvidos também pelo presidente interino do Senado, senador Geraldo Melo (PSDB-RN), e pelo substituto na Presidência da Câmara, deputado Heráclito Fortes (PFL-PI).
Irritação A falta de autorização para entrar no Palácio do Planalto revoltou os prefeitos. A prefeita de Maceió, Kátia Born (PSB), disse que, a partir de agora, os guardas municipais vão ser deslocados para recepcionar o presidente Fernando Henrique Cardoso nas cidades que ele visitar. O presidente terá a resposta do que fez no dia 3 de outubro, afirmou Kátia Born, sendo aplaudida pelos demais prefeitos. Foi ACM quem mandou, mas seguindo ordens de FHC. Os dois trabalham juntinhos.
A assessoria de imprensa do presidente interino da República, Antonio Carlos Magalhães, disse que ele nem viu (a tentativa de invasão do palácio). Mais tarde, no gabinete presidencial, ao ser questionado pelos fotógrafos por que não receberia todos os prefeitos, ACM respondeu: Quem manda aqui é o presidente.
Muitos prefeitos, revoltados com a situação, chegaram a gritar palavras de ordem. Prefeitos unidos, jamais será vencido (sic), gritavam alguns deles, enquanto outros tentavam, sem sucesso, cantar o Hino Nacional. Os prefeitos tucanos também criticaram a atitude e disseram que vão se vingar nas eleições. Lá no meu município, ele (FHC) vai ter muitas dificuldades, afirmou Carlos Aguiar, prefeito de Reriutaba (CE). Daqui para frente será a curva descendente, disse Odilon Gonçalves, prefeito de Roncador (PR).





