Planalto traça estratégia para coibir confrontos
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sábado, 04 de abril de 1998
Agência Folha 
O Palácio do Planalto trabalha com a previsão de que nos próximos 60 dias haverá ampliação dos protestos, manifestações e greves em todo o país. O período coincide com o das articulações políticas para a definição de candidaturas e, em maio, com o reajuste do salário mínimo. Nesse período, o governo prevê que serão intensificadas as invasões em áreas de reforma agrária, mais prédios públicos federais deverão ser ocupados em protestos e haverá o aumento da articulação dos sem-teto, ocupando novas áreas e imóveis abandonados.
O agravamento dos conflitos sociais só será amenizado em junho e julho, período da Copa do Mundo. A ordem do Planalto para os assessores de todos os níveis, e a recomendação especial aos governos estaduais é não produzir cadáveres. O mês de agosto foi classificado como muito preocupante na escala dos cenários possíveis para o ano. Nessa época, assim como no ano passado, poderá haver novas manifestações de policiais militares por melhores condições de trabalho e de salário.
Em 1997, em vários estados, como Ceará e Minas Gerais, as PMs entraram em greve. Foi preciso que o Exército ocupasse as ruas e assumisse a segurança pública para que o movimento recuasse. O presidente vai interferir diretamente, sempre que necessário, para fugir de novas acusações de que seu governo esteja contribuindo para reforçar a impunidade.
No episódio da morte de dois líderes do MST em Parauapebas, sudeste do Pará, na semana retrasada, FHC pegou no telefone e, na frente do governador Almir Gabriel (PSDB), ligou para o superintendente da Polícia Federal. Ele cobrou da PF a captura dos fazendeiros responsáveis pelas mortes. A pressa em mobilizar a PF e o Exército faz parte da estratégia do governo de evitar, a todo o custo, que sejam feitos cadáveres que possam ser usados como mártires das causas sociais.
A missão das duas forças federais no Pará foi impedir a repetição do massacre de Eldorado do Carajás, há dois anos, quando foram mortos 19 sem-terra. O governo federal está usando toda a sua rede de informações para repassar aos governadores dados sobre o deslocamento dos movimentos sociais no país, a fim de evitar surpresas.


