Planalto testa no Congresso acordo com PFL
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sábado, 17 de março de 2001
Christiane Samarco Da Agência Estado 
O governo mobilizará os líderes aliados e os presidentes da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), e do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), para dar demonstração de força no painel eletrônico de votação, tirando o Congresso do imobilismo. O comando político do Palácio do Planalto vai se reunir com os líderes governistas na terça-feira, com a missão de montar uma agenda mais polêmica do que a crise na base aliada e que force todas as alas do PFL, do novo ministro da Previdência, Roberto Brant, ao PFL do trombone, a se mobilizar em torno do Executivo.
Só vamos sair dessa agenda, que a oposição insiste em caracterizar como mar de lama, e ocupar a mídia, se conseguirmos montar pauta mais polêmica que os escândalos, disse o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM). A ordem é votar, completa um ministro político. A lista das polêmicas inclui alguns itens das reformas política, como a fidelidade partidária, e tributária, como a transformação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) em imposto permanente. Mas o teste da performance do governo e do acerto feito com o PFL será a aprovação do Fundo de Previdência Complementar.
Os projetos de regulamentação da previdência complementar pública e privada tramitam no Senado e na Câmara e têm serventia múltipla na avaliação daquele que tem sido seu maior foco de desgaste na base aliada. Eles vão pôr à prova o acerto do Planalto com o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), que lhe valeu dois ministérios, em nome da pacificação dos carlistas. Em jogo, também, a disposição de trabalho de Brant. A nomeação do pefelista desagradou Aécio, pois fortalece seu concorrente potencial na disputa pelo governo de Minas em 2002.
Da mesma forma, entra em pauta a coerência do ministro demitido que idealizou as propostas, senador Waldeck Ornélas (PFL-BA). A negociação dos projetos abrirá espaço para o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), rearticular sua bancada e reabilitar-se com o Planalto, reunindo os votos dos rebeldes do PFL do trombone, que apóiam a posição de independência alardeada por Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).


