Planalto tenta manter-se bem longe das denúncias
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terça-feira, 13 de maio de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - O Palácio do Planalto quer se manter distante das denúncias de suborno a cinco deputados da bancada do Acre que votaram a favor da emenda da reeleição.
O porta-voz do Planalto, Sérgio Amaral, e o ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, destacaram que o governo não tem envolvimento com o escândalo. Segundo Amaral, Fernando Henrique não tinha conhecimento das denúncias, mas considera que são graves e devem ser investigadas pela Câmara, que é responsável por isso. Amaral afirmou, no final da manhã, que o presidente repudia qualquer tipo de barganha e tem se recusado a isso. A gravidade do assunto obrigou o porta-voz a pronunciar-se antes do briefing diário, normalmente feito no início da noite.
Amaral cobrou provas de que o governo tenha favorecido parlamentares pró-reeleição. Estes fatos, que no passado vinham sendo apontados, têm que ser fundamentados, argumentou. Onde é que existe, no Diário Oficial, qualquer evidência de que o governo tenha cedido a pedidos em troca de votos?
Clóvis Carvalho disse que o fato de Fernando Henrique ter recebido os dois governadores denunciados pela compra - Orleir Cameli (sem partido), do Acre, e Amazonino Mendes (PFL), do Amazonas - não compromete o governo. O presidente recebeu todos os governadores, argumentou. Outros assessores avisaram que Fernando Henrique continuará recebendo os governadores, pois são representantes dos Estados.
Na segunda-feira, a assessoria de imprensa do Planalto chegou a fazer - já sabendo que a denúncia seria divulgada -, o levantamento das últimas audiências concedidas pelo presidente aos dois governadores. Cameli esteve com Fernando Henrique no dia 20 de março e Amazonino, no último dia 8.
O governo apressou-se em garantir o andamento normal da emenda no Senado. Ontem, após derrotar o pedido para interromper a tramitação da emenda da reeleição, o líder do governo, senador Élcio Álvares (PFL-ES), transmitiu pessoalmente ao presidente o resultado, antes do início da cerimônia Planalto para comemorar o primeiro ano do lançamento do Plano Nacional de Direitos Humanos, no Planalto. Foram 19 votos favoráveis e quatro contrários. No Senado o entendimento é que o Palácio não está envolvido, justificou o senador.
Sérgio Amaral também considerou desnecessário interromper a votação da emenda da reeleição. Não há razão para colocar em suspeição o processo de reeleição porque não há qualquer prova, insistiu.
Ontem, a presidente do Comunidade Solidária, Dona Ruth Cardoso, procurou evitar comentar da imprensa as denúncias envolvendo os deputados do Acre e os vernadores Orleir Cameli, do Acre e Amazonino Mendes, do Amazonas.


