Planalto teme paralisia de votações no Congresso
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sexta-feira, 27 de maio de 2005
João Domingos<br> Agência Estado 
Brasília - O Palácio do Planalto está preocupado com a possibilidade de o Congresso, a partir de agora, paralisar seus trabalhos e se limitar à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios. Por isso, o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, vai procurar representantes dos partidos de oposição para tentar definir uma agenda comum de votações na Câmara e no Senado enquanto a CPI segue seu rumo.
''No momento, cabe separar a questão da CPI, tratando-a como uma parte da atividade do Congresso'', diz Rebelo. Entre os assuntos de interesse do governo à espera de votação pelo Congresso estão as reformas tributária, universitária e política, a regulamentação das agências reguladoras e a aprovação da Lei do Saneamento Básico, enviada recentemente à Câmara e ainda em regime de consulta na Casa Civil.
''Independentemente do trabalho da CPI, queremos que o Congresso prossiga com uma agenda comum, negociada com os presidentes das duas casas, com o governo e com a oposição'', afirma o ministro.
Para o líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), a iniciativa de Aldo Rebelo, de chamar os partidos de oposição para conversar, revela ''o óbvio''. Ele afirma que em nenhum momento as oposições quiseram outra coisa senão o funcionamento normal do Congresso. ''É tudo o que queremos e tudo o que o governo procurou impedir o ano todo''.
Goldman disse que assim que for procurado, vai dizer qual é a agenda do PSDB e, se for possível, negociá-la com o representante do governo. Pelo jeito, não será fácil acertar uma agenda comum de votações no Congresso. ''Temos na nossa agenda o supersimples, aprovado na primeira etapa da reforma tributária, mas nunca regulamentado, a votação das regras para a Previdência complementar e a reforma tributária, não do jeito que o governo quer, porque não reduz a carga tributária, mas com revisão do papel da federação'', diz Goldman.
O principal de tudo, porém, é o conjunto da reforma política, afirma o líder do PSDB. ''Sem a reforma política não será possível governar esse País''. Por fim, Alberto Goldman exige que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pare de editar medidas provisórias sem relevância e urgência.


