Brasília - O governo teme que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as Organizações Não Governamentais (ONGs), hoje sob o comando da oposição, acabe se transformando em uma ''CPI do Fim do Mundo'', a exemplo do que ocorreu em 2006 com a CPI dos Bingos. Na época, a CPI dos Bingos investigou de tudo um pouco: desde o assassinato do ex-prefeito petista de Santo André Celso Daniel até denúncias de corrupção, nos anos 90, em Ribeirão Preto, quando Antonio Palocci, hoje deputado federal (PT), era prefeito da cidade. A preocupação do Palácio do Planalto é que agora o DEM e o PSDB, que têm a presidência e a relatoria da CPI das ONGs, tragam para esse inquérito as investigações sobre supostas irregularidades na Petrobras e na Agência Nacional de Petróleo (ANP).
''Eles (os governistas) não querem apurar as bandalheiras na Petrobras'', acusa o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM). Relator da CPI das ONGs desde a semana passada, o tucano avisou que na terça-feira pretende entregar um programa de trabalho com os próximos passos do inquérito.
Já os governistas tentarão retomar a relatoria da CPI das ONGs. ''Não aceitamos a demissão arbitrária de um relator e a condução de um outro que nunca participou da CPI das ONGs'', diz o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP).

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