Planalto se mostra contra acúmulo de aposentadoria Agência Estado De Brasília O presidente Fernando Henrique Cardoso é contra a acumulação de vencimentos que permitem que o teto salarial do funcionalismo público chegue a R$ 23 mil, como no caso de uma aposentadoria. Segundo um auxiliar direto, Fernando Henrique só concordou com a introdução desse ‘‘casuísmo à emenda’’ para facilitar o acordo e permitir que, depois de um ano e meio de discussões, os três Poderes cheguem a um entendimento sobre a fixação de um limite para os salários. Além do mais, o presidente foi convencido de que sem a acumulação de aposentadoria e vencimentos da ativa o Congresso não aprovaria a proposta. Portanto, garante o auxiliar, se a oposição se mobilizar e decidir que deve derrubar a acumulação de aposentadoria com salário, fixando o teto em R$ 11,5 mil, não contará com resistência do Palácio do Planalto. O presidente tem afirmado a seus interlocutores que, por sua vontade, o teto não seria nem de R$ 11,5 mil e sim de R$ 10,8 mil. ‘‘Fui voto vencido’’, disse o presidente a um de seus auxiliares. Mas, para não se mostrar intransigente, aceitou o texto acordado para a emenda. E também para desbloquear o processo que estava travado. ‘‘Concordei para que se saísse do impasse’’, afirmou o presidente a seu auxiliar. FHC avaliou que se envolveu demais para resolver problemas dos outros Poderes e que o Executivo já fez a sua parte nessa discussão do teto salarial ao ceder no que podia fazer. Agora, a decisão é do Congresso. Mas o governo tenta contornar a situação. Nas discussões entre três Poderes, o que foi enfatizado é que esse acúmulo de aposentadoria seria uma regra transitória, que só valeria para quem desfruta do benefício, sem qualquer teto e sem qualquer limite de número de aposentadorias.