BRASÍLIA - O governador paranaense Jaime Lerner (PDT) está sendo aconselhado, por integrantes do governo federal e da CPI dos Títulos Públicos, a fazer uma ‘‘limpeza’’ nas diretorias e gerências das empresas do grupo Banco do Estado do Paraná (Banestado), por causa de irregularidades constatadas nas operações das instituições. O grupo Banestado é formado pelo banco, corretora, leasing, fundo de investimento e fundo de financiamento.
O recado que Lerner está recebendo é de que as irregularidades poderão tornar inevitável uma intervenção do Banco Central no Banestado. O termo ‘‘limpeza’’ foi utilizado por alto funcionário do governo e por três senadores da CPI. ‘‘Ou ele tira essas pessoas ou ele cai junto’’, disse um senador governista que examinou a situação do banco. Os diretores do Banestado serão ouvidos pela CPI segunda-feira.
De uma carteira total de pouco mais de R$ 1 bilhão, o Banestado imobilizou dinheiro na compra de 196.970 títulos de emissões fraudulentas feitas pelos Estados de Pernambuco, Alagoas e pelos municípios de Guarulhos, Campinas e Osasco. Neste total, estão incluídos 22.011 papéis do Estado do Paraná. Na posição de 27 de fevereiro de 1996, o valor desses títulos equivalia a R$ 274 mi.
Os recursos gastos com os papéis estaduais e municipais, de nenhuma liquidez no mercado, correspondem a cerca de 25% do total das aplicações financeiras realizadas pelo banco paranaense no mesmo período, o que é considerado um comportamento de altíssimo risco.
O rastreamento feito pela CPI mostra que o Banestado ficou com 69.602 títulos de Alagoas, de um total de 301 mil papéis emitidos. Foi o maior comprador individual desses papéis. O banco paranaense tem em sua carteira 60 mil títulos de Pernambuco, de um total de 480 mil emitidos. Foi o segundo maior comprador individual dos papéis.
Mesmo com essas enormes compras de títulos, o Banestado não adquiriu um único papel dos Estados e Municípios em leilão público. Preferiu esperar que os preços dos papéis passassem pela ‘‘corrente da felicidade’’ para depois comprar. O rastreamento feito pela CPI mostra que as aquisições do Banestado permitiram um lucro de R$ 30,324 milhões ao esquema de empresas que manipulou os preços dos títulos estaduais e municipais.
Há fortes suspeitas da CPI e do governo federal sobre as emissões de debêntures realizadas pela Banestado Leasing, no valor de R$ 300 milhões. As informações que chegam ao Ministério da Fazenda e à CPI dos Títulos Públicos indicam que a Banestado Leasing fez três emissões de debêntures: uma de R$ 100 milhões em maio de 1995; outra de R$ 100 milhões em novembro de 1995; e uma terceira de R$ 100 milhões em abril de 1996.
Na primeira emissão, a taxa das debêntures teria sido de TR mais 24% ao ano e teria sido dada uma comissão de 4% do total a título de comissão. Nas outras duas emissões a taxa teria sido de TR mais 21% ao ano e mais 3% de comissão. A corretora Boa Safra, de Fausto Solano Pereira, teria recebido 1% para ‘‘assessorar’’ a Banestado Leasing no lançamento das debêntures. Fausto Solano Pereira recebeu um cheque de R$ 9,7 milhões da empresa IBF Factoring. Esse dinheiro foi obtido pela IBF nas operações com títulos de Santa Catarina. A colocação das debêntures no mercado não foi feita pela corretora do Banestado, mas por um ‘‘pool’’ de corretoras liderado pelo Bradesco e pela Boa Safra.

mockup