Preocupado com o desgaste da imagem pública do governo, o presidente Fernando Henrique Cardoso está disposto a não contribuir com fatos novos na briga com o governador de Minas Gerais, Itamar Franco. Fernando Henrique não pretende voltar atrás na posição, mas evitará ao máximo acirrar os ânimos com Itamar. A estratégia traçada pelo Palácio do Planalto é ignorar o governador de Minas Gerais, evitando responder as provocações dele. Ao mesmo tempo, o Planalto deu o aval para que tucanos mineiros atuem como ‘‘bombeiros’’ para tentar acalmar o ex-presidente.
Um dos escalados para conversar com aliados do ex-presidente é o líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves (MG). Desde o início da crise, o tucano vem especializando-se em dar declarações que evitem criar mais atritos entre o governo federal e Itamar. Ao contrário do ministro das Comunicações, Pimenta de Veiga, desafeto público do governador de Minas Gerais, Neves tem um trânsito bom com Itamar. O tucano ainda não tinha, até o início da noite de ontem, conversado diretamente com o governador. Mas, segundo interlocutores do Planalto, havia mantido contato informal com políticos do grupo de Itamar.
Nas conversas, o tucano avisou que o Planalto está disposto a iniciar um esforço para evitar novos confrontos com o governador de Minas Gerais. O governo pretende ainda reduzir os ataques ao ex-presidente e não mais peitar Itamar, como fez no auge da crise quando Fernando Henrique o acusou de ‘‘omisso, pândega e bazofiador’’. Espera, com essa atitude, serenar os ânimos do governador e, dessa forma, reduzir a má repercussão diante do mercado financeiro nacional e internacional causada pela queda de braço entre os dois.
O governador, no entanto, não parecia muito disposto ontem a amenizar o tom de confronto com o Planalto.

mockup