BRASÍLIA - O governo está tentando evitar a formação de blocos entre os partidos da sua base de sustentação na Câmara para evitar que o PFL se alie ao PPB. A proposta ainda não foi fechada com os líderes governistas, mas a composição dos blocos foi adiada para o dia 28 com o objetivo de não interferir na votação em segundo turno da emenda da reeleição, marcada para o dia 25.
O tamanho dos blocos e partidos é o que define a distribuição das presidências das comissões permanentes da Câmara e das comissões especiais que analisam as reformas constitucionais e as leis regulamentadoras. O maior bloco tem direito a ficar com as presidências e indicar os relatores dos projetos das comissões especiais e escolher as comissões permanentes mais importantes.
O possível bloco do PFL com o PPB somaria cerca de 190 deputados, o que seria determinante para as comissões e votações no plenário. As negociações para a aliança parlamentar surgiram depois que o PTB decidiu formar bloco com o PSDB. Os dois partidos somariam cerca de 114 deputados, tornando-se a maior bancada. Ontem, o deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), ex-presidente da Câmara, defendeu o fim dos blocos, proposta discutida anteontem à noite com os ministros Luiz Carlos Santos (Assuntos Políticos) e Sérgio Motta (Comunicações).
Os quatro maiores partidos da base governista, PMDB, PFL, PSDB e PPB, dividiriam as presidências das comissões e escolheriam os relatores dos projetos sem a formalização de blocos parlamentares. ‘‘Não haverá mais blocos. A divisão será equitativa entre os partidos da base’’, afirmou ontem o líder do PFL, Inocêncio Oliveira. Apesar das declarações, Inocêncio já começou a negociar com o PPB para a constituição do bloco.
Inocêncio e os deputados Delfim Netto (PPB-SP) e Ibrahim Abi-Ackel (PPB-MG) já estão tratando das assinaturas para formalizar o bloco. O presidente do PFL, José Jorge (PE), também participa das articulações. O líder do PSDB, José Aníbal (SP), continua trabalhando para a formação do bloco com o PTB.O PSDB ficou excluído das presidências e não indicou relatores para as comissões das reformas. PDTEm Mato Grosso, 20 dos 23 prefeitos do PDT decidiram sair ontem da legenda. Eles acompanham o governador Dante de Oliveira, que, ao saber da ameaça de expulsão por trabalhar pela reeleição, pediu seu desligamento. A atitude praticamente acaba com o partido no Estado.
Cobiçado pelos líderes do PSDB e PMDB, Dante de Oliveira assegura que no final de março decide. Mário Márcio Torres, da direção estadual do PDT, revelou ao governador a disposição do presidente do PDT, Leonel Brizola, em propor uma trégua nos próximos 30 dias, com a possibilidade de permanência de Dante no partido. A proposta foi recusada. ‘‘Sou ex-PDT’’, disse Dante.

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