Brasília - Para acalmar a insatisfação dos partidos da base aliada na Câmara, o governo definiu duas linhas: a promessa de liberação de verbas de interesse dos deputados e uma mudança na relação política com o Congresso. A estratégia agora é que a própria presidente Dilma Rousseff vai participar ativamente das conversas com os líderes partidários. A aproximação começou anteontem, em encontro com o PT e PMDB, principais partidos do governo.
Ontem, a presidente deveria receber PSB, PDT e PC do B. Amanha, será a vez do PSD, partido a ser criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Até agora mais distante da articulação com o Congresso, Dilma quer partir para o corpo a corpo com deputados -que na semana passada paralisaram as votações na Câmara.
O novo estilo agradou. ''Esse é um período novo de seu governo. Pelo que eu vi e ouvi ontem, a Dilma já é a minha candidata à reeleição em 2014'', afirmou o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN).
Sobre a liberação de verba, a promessa feita ontem pela ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), durante almoço com os líderes da base, é de que os restos a pagar de anos anteriores, ou seja, emendas aos orçamentos anteriores que não foram liberados até agora, devem ser pagos até setembro.
Segundo os deputados, a ministra disse que todas as obras já em andamento nos municípios devem receber dinheiro, um montante equivalente a cerca de R$ 700 milhões. A ministra também prometeu o empenho de cerca de R$ 1 bilhão das novas emendas. Isso significa que o governo fez uma promessa de que vai efetivamente gastar R$ 1 bilhão, do total de R$ 7 bilhões apresentados pelos deputados.
Dentre o montante a ser empenhado, a ideia é que cada novo deputado tenha direito a cerca de R$ 100 milhões, dinheiro que será usado de deputados que não se reelegeram. Com o cronograma de Ideli, a base aliada prometeu ajudar o governo na Câmara nesta semana. Apenas uma medida provisória, no entanto, deve ser votada hoje.
''Esse foi o cronograma possível do governo, agora vamos votar o que é possível para nós'', disse o líder do PTB, Jovair Arantes (GO). Questionado se a base trabalharia em ''passos de tartaruga'', o líder respondeu: ''pode colocar que é operação padrão''.

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