Planalto promete R$ 300 mi para aliados
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quinta-feira, 25 de março de 2004
Agência Folha 
Brasília - Para tentar superar a rebelião de sua base de apoio na Câmara e votar a medida provisória que proíbe os bingos no país, o governo prometeu liberar imediatamente R$ 300 milhões em emendas parlamentares (deputados e senadores) e analisar com mais agilidade os pedidos parados de nomeações para cargos e de outros tipos de verbas públicas. Essas medidas fazem parte de uma pacote de concessões aos aliados. São resultado de duas reuniões emergenciais na noite de quarta-feira. O Palácio do Planalto também prometeu cumprir a antiga promessa de criar um conselho com presidentes de partidos governistas, além de determinar a ministros uma atenção especial a congressistas.
Lula está preocupado com o preço de sua governabilidade. Quarta-feira, ao reagir com contrariedade à rebelião, disse que os aliados estavam cobrando caro pela fatura de abafar o caso Waldomiro Diniz. Sentiu, segundo a Folha de S.Paulo apurou, que há enfraquecimento do governo e que o jogo parlamentar ficará mais caro em termos fisiológicos.
Dos sete principais partidos aliados, quatro (PTB, PL, PP e PMDB) impediram a votação da MP (medida provisória) que proíbe o funcionamento dos bingos e exigiram benesses em verbas e cargos. Com o ''pacote'', os aliados prometeram votar a MP dos Bingos, resposta política do governo ao caso Waldomiro, na semana que vem.
Apesar disso, o ''fogo amigo'' contra o Palácio do Planalto não acabou. ''Não vão atender ninguém, vão fazer um afagozinho aqui, dar uma migalhazinha ali, aí o sujeito abana o rabo por uma semana, mas vai ficar nisso'', previu o presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), anfitrião de uma das reuniões.
Nos encontros, o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) prometeu liberar até o início de julho as emendas parlamentares de 2002, 2003 e parte das de 2004, no total de R$ 300 milhões; os ministro José Dirceu (Casa Civil) e Aldo Rebelo (Coordenação Política) se comprometeram a agilizar a nomeação de pessoas indicadas por partidos aliados.
De todo modo, a liberação apenas saciará temporariamente o apetite dos deputados a reivindicação no Congresso é de liberação de R$ 4,7 milhões por parlamentar, ou R$ 2,8 bilhões, algo fora do horizonte do governo. O presidente do PT, José Genoino, levou o recado de Lula de que ministros serão mais atenciosos e de que o conselho político com os caciques aliados sairá do papel.
Os encontros para apagar o incêndio foram os seguintes: líderes dos partidos aliados se reuniram na casa do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), com Palocci, Dirceu e Rebelo. Presidentes de partidos governistas se encontraram no apartamento de Jefferson. As duas reuniões ocorreram no dia em que os rumores sobre a saída de Dirceu do governo atingiram níveis elevados em Brasília. Aproveitando a fragilidade do chefe da Casa Civil - que elevou, com recentes críticas à oposição, a temperatura em torno do caso Waldomiro Diniz, seu ex-assessor -, quatro dos sete maiores partidos da base aliada, PMDB, PP, PTB e PL, que representam 60% da base de apoio do governo na Câmara, jogaram duro com o governo.


