Planalto pode perder 2 partidos em dezembro
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domingo, 14 de novembro de 2004
Rose Ane Silveira<br>Folhapress 
Brasília - O governo vive em dezembro um de seus momentos mais delicados na relação com os partidos da base. Tanto o PPS como o PMDB decidem no próximo mês se continuam ou não na base que sustenta o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso. Os dois partidos comandam ministérios.
O PPS realiza no dia 11 de dezembro, no Rio de Janeiro, reunião da sua Executiva Nacional. Além de decidir se permanece ou não na base aliada, o PPS vai definir sua possível fusão com o PDT. Os partidos devem se unir gradualmente até formar uma só sigla em 2005. Até lá, segundo explicou o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), a idéia é formar uma federação partidária.
O PDT reúne sua Executiva para trata da possibilidade de fusão no dia 3 de dezembro, também no Rio. O objetivo das duas legendas é formar uma alternativa de centro-esquerda, que não seja de oposição radical ao governo nem integre a base aliada, conforme explicou o presidente do PDT, Carlos Lupi.
Lupi, assim como Freire, busca novos nomes para ingressar na possível legenda. Os chamados radicais expulsos do PT, como a senadora Heloísa Helena (sem partido-AL) e os deputados Babá (sem partido-PA) e Luciana Genro (sem partido-RS) já foram convidados para ingressar no PDT. O alvo agora é o senador Cristovam Buarque (PT-DF), que se desfiliou do PDT para disputar o governo do Distrito Federal em 1995.
Caso o PPS deixe a base de Lula, o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, único nome da sigla a ocupar um cargo no governo deve deixar a legenda. Alguns parlamentares já dão como certo o seu ingresso no PTB o cenário se confirme.
A expectativa dos presidentes dos dois partidos é que caso as bases apóiem a fusão, uma convenção extraordinária pode ser convocada ainda para dezembro, para efetivar a união das duas legendas. O descontentamento com o governo Lula assola tanto PMDB como PPS. O PPS além de criticar a política econômica e social do governo federal, ainda guarda muitas mágoas do período eleitoral.
Lutarei para que o partido saia da base de João Paulo e vá para a oposição. Precisamos acabar de uma vez por todas com essa ambiguidade, afirmou o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE), que ainda reclama da derrota para o petista João Paulo,na disputa pela prefeitura de Recife.
No PMDB, a decisão de ficar ou não no governo será tomada durante convenção nacional do partido, a se realizar no dia 12 em Brasília. O partido hoje, dividido em três frentes, vai buscar a união.
O PMDB tem hoje dois ministros, Amir Lando, da Previdência e Eunício Olivera, das Comunicações. Ministros e a maioria dos senadores querem permanecer no governo. Já a maioria dos seis governadores da legenda defende uma posição de independência em relação ao Planalto e a terceira corrente defende que o PMDB vá direto para a oposição.
Entre os que defendem a ida do partido para a oposição está o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos. O governador pernambucano pode ser um nome forte a engrossar a nova legenda a ser criada com a fusão de PDT e PPS.
Com 23 senadores, seis governadores, 78 deputados federais, 152 deputados estaduais e mais de mil prefeitos eleitos, o PMDB é um dos principais integrantes da base. Por isso, a coordenação política do governo prioriza a negociação com o PMDB, não havendo sinais de negociações com PPS.


