O Palácio do Planalto já conversou com os governadores do PMDB favoráveis à reeleição para que trabalhem suas bancadas, compareçam à convenção nacional do partido e evitem que o encontro seja transformado em um palanque anti-reeleição. Preocupado com as iniciativas contrárias à reeleição, os aliados do governo reforçaram o convite aos governadores Antônio Britto, do Rio Grande do Sul; Maguito Vilela, de Goiás; Garibaldi Alves Filho, do Rio Grande do Norte; e José Maranhão, da Paraíba, todos favoráveis à emenda, para que viagem a Brasília.
Além das resistências comandadas pelo presidente do partido, Paes de Andrade (CE), o governo identificou focos de rebelião no partido inclusive em relação à data já definida para a votação da emenda pela comissão especial. Muitos peemedebistas acham absurda a idéia de quebrar a rotina da Câmara para votar uma matéria como esta na segunda-feira à noite. ‘‘É uma data esdrúxula’’, disse o vice-presidente da comissão especial, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Mas há outros complicadores, inclusive um grupo denominado ‘‘Movimento da Consciência Política’’, patrocinado por 60 deputados, inclusive governistas, que insistem em deixar a reeleição para depois da escolha do presidente da Câmara, no início de fevereiro.
Preocupado com o grau de rebelião do maior partido da Câmara, o comando político do governo resolveu marcar uma reunião hoje na casa do presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), para avaliar as chances de aprovação da emenda da reeleição em plenário, na próxima semana. Os ministros dos Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, e das Comunicações, Sérgio Motta, ficarão encarregados de definir a estratégia de votação e checar os últimos números com os líderes do governo, Benito Gama (PFL-BA); do PMDB, Michel Temer (SP); do PSDB, José Aníbal (SP); e do PFL, Inocêncio Oliveira (PE).
Ontem, ao rejeitar pela segunda vez um requerimento de urgência defendido pelo governo, o plenário da Câmara acabou servindo de teste para o governo. A urgência seria para um projeto que prevê redução de multas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Mas o que realmente estava em jogo era o mapa de votação. O PPB, o PTB e os partidos de esquerda se mantiveram em obstrução, e o requerimento só obteve 249 dos 257 votos necessários, embora 278 deputados tenham votado (9 contra e 20 pela abstenção). Todos os dados recolhidos durante as votações de ontem e a de anteontem deverão ser utilizados nos cálculos do comando governista.
O líder do PSDB, José Aníbal (SP), prevê que até 340 deputados poderão votar a favor da emenda da reeleição. Os cálculos feitos até o momento, no entanto, apontam para 320 a 330 votos favoráveis à proposta. Para que seja aprovada em primeiro turno pela Câmara na próxima quarta-feira - depois de passar pela comissão especial na segunda-feira - a emenda constitucional deverá ter os votos de pelo menos 308 deputados.
Os líderes dos partidos aliados ao governo avaliam que o Palácio do Planalto marcou pontos ontem em favor da reeleição-já. Por dois motivos: o reconhecimento, pelo presidente do PPB, Esperidião Amin (SC), de que há votos suficientes para aprovar a emenda, e a recomendação da executiva do PFL para o voto favorável à reeleição.
Os dois fatos criaram um clima favorável à reeleição dos atuais governantes, mas não garantem a certeza da vitória. Embora o PMDB tenha decidido liberar o voto da bancada, a convenção nacional vai colocar em votação a tese do referendo e do plebiscito.

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