Planalto nega que Dirceu tenha pedido demissão
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quarta-feira, 24 de março de 2004
Agência Folha 
Brasília - A Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) negou, no início da noite de ontem, os rumores sobre a saída do ministro José Dirceu (Casa Civil) do governo. De acordo com a secretaria, são ''infundadas'' as notícias de que o ministro teria pedido demissão. A eventual demissão do chefe da Casa Civil chegou a ser cogitada ontem por agentes do mercado financeiro, o que provocou alta na cotação do dólar pelo terceiro dia consecutivo.
As desavenças públicas entre congressistas da base aliada e dentro do próprio governo levaram o mercado a especular sobre um possível afastamento de Dirceu, o que foi classificado como ''boato'' pelo Planalto. O fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter repreendido o ministro anteontem por ataques ao senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e a políticos tucanos reforçou ainda mais as especulações. Lula teria ficado contrariado porque tenta obter o apoio de parte do PSDB para superar a crise do caso Waldomiro Diniz.
Há ainda uma preocupação do mercado financeiro de que a crise política coloque em xeque a condução da economia. Diante das incertezas, os investidores preferem manter cautela e adiar negociações que não sejam urgentes.
O dólar ficou em alta pelo terceiro dia consecutivo. A moeda teve valorização de 0,51% e fechou a R$ 2,930 na venda. Em três dias, acumula alta de 0,96%. Entretanto, como a demanda pela moeda americana está pequena, os problemas políticos ganham pouco eco e não chegam a causar forte pressão na moeda, como no período pré-eleitoral de 2002.
Alguns profissionais que atuam no mercado chegaram até a avaliar o impacto de uma eventual saída de Dirceu do governo. A diretora de câmbio da corretora AGK, Miriam Tavares, avaliou que um afastamento do ministro seria bem visto pelo mercado, embora pudesse causar um certo ''estresse'' no primeiro momento, principalmente junto aos investidores estrangeiros.
De acordo com ela, o mercado não gostou da postura de Dirceu, que atacou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e políticos tucanos, dificultando um apoio de parte do PSDB para superar a crise do caso Waldomiro Diniz.
Havia rumores, inclusive, de que o secretário de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica, Luiz Gushiken, substituiria Dirceu na Casa Civil. Essa informação também foi desmentida pela Secom.


