Agência Folha
De Brasília
O presidente Fernando Henrique e o ministro da Defesa, Élcio Álvares, foram informados ontem dos discursos dos militares da Aeronáutica. A assessoria de imprensa do Planalto informou que não haveria resposta oficial sobre o assunto. O governo considera a manifestação uma posição isolada de militares da reserva, que não ameaça a democracia.
Para o governo, não havia militares de expressão no almoço e a sociedade saberá que aqueles que fizeram discursos contra o presidente não são democratas. O governo acha que os comandantes das três Forças Armadas, que mantêm o controle do efetivo de suas respectivas Forças, estão afinados com o presidente, garantindo a governabilidade.
Segundo comentário de um ministro ligado a FHC, os três – Gleuber Vieira (Exército), Sérgio Chagasteles (Marinha) e Carlos Almeida Baptista (Aeronáutica), substituto de Walter Brauer – têm demonstrado compromissos com o País, com a democracia e com FHC. Élcio Álvares, que fica em Vitória até o dia 3 de janeiro, não quis fazer comentários.
O tom dos discursos foi criticado pelo líder do PT na Câmara, deputado José Genoino (SP), parlamentar que tem bom trânsito entre os militares e é um dos negociadores no Congresso de projetos de interesse do setor. Genoino criticou os militares da reserva, que pediram o impeachment de FHC. ‘‘São pronunciamentos inaceitáveis. Os militares devem tratar de questões de defesa e não podem interferir em questões políticas. Pregar impeachment de presidente não é tarefa de militar. A oposição ao governo é feita por partidos políticos, Congresso e sociedade e não por militares’’, disse.

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