Brasília - A frustrada operação contra a CPI dos Correios levou o Palácio do Planalto a liberar num único dia a última terça-feira um total R$ 12 milhões para emendas de parlamentares ao Orçamento da União que estavam retidas na rubrica ''restos a pagar''. O valor corresponde a 26% de todas as despesas autorizadas nessa rubrica ao longo deste ano. Nos primeiros cinco meses, o governo tinha liberado apenas R$ 47 milhões para as emendas de parlamentares. Com os restos a pagar quitados na terça-feira, o total sobe para R$ 59 milhões.
A liberação da verba milionária foi uma exigência de parlamentares aliados e reforçou a ofensiva para que congressistas retirassem o apoio à criação da CPI. Do ponto de vista político, a manobra foi mal-sucedida. Em números redondos, o PMDB abocanhou R$ 2,2 milhões dos restos a pagar, enquanto o PT ficou com outros R$ 2 milhões. O PC do B arrancou em emendas mais R$ 600 mil. ''Houve um aumento de 23% para o PT, 59% para o PMDB e 46% para o PC do B em relação as liberações anteriores'', afirmou o deputado Alberto Goldman, líder do PSDB na Câmara.
A operação, que foi comandada pelos ministros José Dirceu, chefe do Gabinete Civil, e Aldo Rebelo, da Coordenação Política, mobilizou ministros, governadores, parlamentares petistas e até mesmo o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile que telefonou para três deputados pedindo que retirassem a assinatura de apoio à CPI dos Correios.
A abordagem era direta e clara. Nas ligações e conversas cara-a-cara, os governistas avisavam quem retirasse a assinatura do requerimento de CPI seria imediatamente premiado com a liberação de verbas.

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